PT de Telêmaco expulsa deputado Matos
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terça-feira, 18 de julho de 2000
Patrícia Zanin e Edinelson Alves De Londrina 
O deputado federal Márcio Matos, de Telêmaco Borba, foi expulso do PT pelo diretório municipal. A decisão foi anteontem à noite, durante reunião do diretório. Foram 9 votos a favor da expulsão e um pela desfiliação. O presidente do diretório, João Ernesto Ribeiro, alegou que Matos infringiu o estatuto do partido ao agir com indisciplina e traição.
Ele também acusou o deputado de denúncias de recebimento de dinheiro, na campanha de 98, de Joarez França Costa, o Caboclinho. O empresário, que está preso em Curitiba, é acusado de ser um dos principais envolvidos com roubo, receptação e desmanche de carros no Paraná. O deputado não respondeu as denúncias, disse Ribeiro.
Segundo ele, além de não apoiar o candidato do PT à Prefeitura de Telêmaco Borba, Reinaldo Antunes Carneiro, o deputado está na campanha do atual prefeito e candidato à reeleição, Carlos Hugo Von Graffen (PRP). Ribeiro disse ainda que Matos ajudou a fundar comissões provisórias do PPS no Centro do Estado e vai apoiar vários candidatos de outras siglas na região. Em Curiúva, por exemplo, ele vai subir no palanque do pessoal do PFL.
O presidente estadual do PT, Márcio Pessatti, disse ontem, em Curitiba, que ainda não havia recebido oficialmente nenhum aviso do diretório de Telêmaco sobre a expulsão. Pessatti também informou não ter recebido comunicado do deputado sobre seu desligamento. É claro que é ruim para a bancada do PT perder um deputado, mas tenho certeza que o Dr. Rosinha e o Padre Roque vão suprir a falta do Matos, comentou. Pessatti acredita que a saída dele não vá prejudicar a campanha do candidato a prefeito do PT de Telêmaco. Temos uma candidatua forte, apostou.
O deputado negou ter sido expulso do partido. Nem o diretório estadual e nem nacional sabem de nada. Na segunda-feira, eu entreguei a carta pedindo meu desligamento, mas o diretório local não quis receber. Essa comissão de ética local não tem moral para repreender ninguém. Vou entrar com ação na Justiça para que eles provem todas as besteiras que estão inventando ao meu respeito, ameaçou.
Para o deputado, as desavenças com o grupo que o acusa se acirraram nas eleições de 98. Esse pessoal apoiou, na eleição para deputado, o candidato do PMDB Edmilson Pukanski. A diferença é que eles fizeram 2.200 votos enquanto eu atingi quase 22 mil votos. Mesmo apoiando o candidato perdedor, ainda vieram atrás de mim pedindo vagas no meu gabinete, além de estrutura de fax e telefone. Como não me submeti a essa pressão, passei a ser ostensivamente perseguido por esse grupo do PT. Foi um patrulhamento severo que culminou com essa campanha para minha expulsão.
Segundo Matos, o fato de ter manifestado apoio à reeleição do prefeito foi a gota dágua. Vou continuar votando com o PT porque minha ideologia não muda. Mas querer envolver meu nome com esse tal de Caboclinho é uma orquestração inqualificável, rebateu. (Colaborou Rubens Burigo Neto)


