'PT de Londrina pagou mensalão ao MST'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de agosto de 2005
José Antonio Pedriali<br>especial para a Agência Estado 
Londrina - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) recebeu R$ 90 mil provenientes de recursos não-contabilizados da campanha de reeleição do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), denuncia a ex-assessora financeira da campanha Soraya Garcia. Segundo ela, o PT gastou na reeleição de Micheleti R$ 6 5 milhões e declarou apenas R$ 1,3 milhão de despesas e uma receita de R$ 1,1 milhão.
A seção londrinense do MST, disse Soraya, recebeu R$ 10 mil mensais, de fevereiro a outubro do ano passado ,para apoiar a candidatura de Micheleti.
Um desses pagamentos, garantiu, foi levado pessoalmente por ela à sede do movimento, situado no centro da cidade. Os demais, acrescentou, foram recolhidos no comitê financeiro da campanha petista, na maioria das vezes por uma representante do MST chamada Lucimar. ''Tínhamos que pagar (o MST) em dia, senão eles reclamavam com insistência, alegando que não podiam esperar porque tinham compromissos financeiros urgentes'', disse Soraya.
No dia 10 de maio de 2004, lembrou a ex-assessora, o coordenador da campanha de Micheleti e presidente do diretório municipal do PT, Jacks Dias, compareceu à sede do MST, onde foi exibida uma fita de vídeo. Essa fita, explicou, foi apresentada para convencer os dirigentes e militantes do MST para que eles se engajassem na campanha de Micheleti.
Dias, que é secretário municipal de Gestão Pública, não quis se pronunciar.
O advogado do diretório municipal do PT, João dos Santos Gomes Filho, afirmou que a denúncia de Soraya é uma ''loucura'', uma ''viagem alucinógena (dela) dirigida por adversários históricos do PT''. A coordenação estadual do MST, com sede em Curitiba, foi procurada, mas até às 19 horas não havia comentado a denúncia.


