A exemplo do PT nacional, o diretório municipal do partido também contabiliza dívidas a pagar. As eleições municipais de 2004 em que o petista Nedson Micheleti conquistou a reeleição no segundo turno resultaram em R$ 150 mil em dívidas.
Segundo o secretário de Finanças do PT de Londrina, Francisco Moreno, apesar dos gastos de campanha terem sido menores do que o previsto, a arrecadação também não atingiu o esperado. ''A dívida é repassada ao partido mas está sob controle. Estamos recorrendo aos filiados e simpatizantes do partido para fazerem contribuições'', disse. O prazo para quitação do débito vence em dezembro.
Conforme Moreno, a arrecadação mensal com as contribuições partidárias dos filiados não cobre as despesas e a dívida. De acordo com o estatuto do PT, os filiados detentores de mandato destinam mensalmente 20% dos vencimentos ao partido. A contribuição para os petistas em cargos em comissão varia de 5% a 10% dos salários. Para os demais filiados é estipulada uma contribuição anual de 1% sobre os vencimentos, sendo a cota mínima de R$ 5. O PT tem cerca de 12 mil filiados.
Nos cálculos de Moreno, o PT de Londrina arrecada mensalmente cerca de R$ 10 mil somente com os eleitos e os cargos comissionados. ''A arrecadação mensal com a contribuição dos filiados é de R$ 12 mil'', contabilizou. No entanto, nos cálculos feitos pela Folha, se somados os percentuais destinados ao partido pelo prefeito (20%), vice-prefeito (10%), três vereadores (20%), nove secretários (10%), um presidente de companhia municipal (10%) e 41 petistas em cargos em comissão (considerando o percentual mínimo de contribuição, 5%) na administração direta e indireta, a arrecadação do partido chega a quase R$ 20 mil mensais. Na administração direta, em que foram nomeados 76 cargos em comissão, 42% são filiados ao PT. Na administração indireta, os petistas correspondem a 27% dos 63 comissionados.
As finanças do PT e dos demais partidos poderão se agravar ainda mais se o Congresso Nacional aprovar o projeto de autoria do senador José Jorge (PFL/PE), que proíbe aos partidos políticos estabelecer contribuição obrigatória para os filiados ocupantes de cargos, de qualquer natureza, na administração pública. O projeto deve ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no início de agosto.
Moreno é contrário ao fim da contribuição partidária. ''É uma política de financas que o partido adota. Os cargos eletivos devem contribuir porque ninguém se elege sozinho. A regra é colocada quando a pessoa sai candidata e os cargos de confiança já sabem que têm que dar uma contribuição para o partido'', argumentou.
Do total arrecadado mensalmente pelos diretórios municipais, 15% é repassado para o diretório nacional e 5% para o estadual. O diretório nacional faz o débito em conta e repassa os valores aos estados e municípios.

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