São Paulo - A nova onda de ameaças e atentados contra políticos do PT, que culminou com a morte dos prefeitos petistas das duas principais cidades do interior do Estado de São Paulo, é resultado de uma alquimia explosiva gerada pela união do crime organizado com a extrema direita. Esta avaliação é feita por setores do PT ligados à investigação do crime organizado no Estado de São Paulo e no País.
‘‘A CPI do Narcotráfico mostrou a extensão das ligações da polícia e da política de Campinas com o crime organizado; e Santo André está no centro de uma grande investigação, ainda em curso, sobre quadrilhas de roubo de cargas, roubo de caminhões e narcotráfico’’, disse o deputado federal Padre Roque (PT), que integrou a CPI do Narcotráfico.
O deputado avalia que o narcotráfico é o ‘‘novo braço’’ da extrema direita. ‘‘Interessa a eles a corrupção e o fim da democracia’’, argumenta. Assim como em Campinas, de acordo com Roque, a região do ABC paulista é sede de uma extensa estrutura do crime organizado.
‘‘O crime organizado detém poder político e está incrustado no aparelho de segurança em diversos Estados brasileiros’’, alerta o secretário da Fazenda de Londrina, Paulo Bernardo, ex-deputado federal e ex-secretário de Finanças do governo de José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, no Mato Grosso do Sul. Bernardo diz que ‘‘não têm dúvidas’’ da existência de uma ‘‘orquestração da extrema direita’’ que começa em São Paulo. ‘‘É hipocrisia ignorar. O narcotráfico e o crime organizado financiam campanhas eleitorais milionárias e estão em diversos níveis da vida pública’’, diz Padre Roque.

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