Neri Victor Eich
Agência Estado
De Brasília
O deputado federal Geraldo Magela (PT-DF), autor da denúncia de que o secretário de Políticas Urbanas, Ovídio de Angelis, favoreceu seu Estado (Goiás) na distribuição da maior parte das verbas (63%) quando era secretário de Políticas Regionais, criticou a decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de manter o secretário no cargo.
Magela distribuiu uma nota oficial do partido em que afirma que o presidente, com essa atitude, ‘‘perde uma excelente chance de demonstrar que faz um governo marcado pela seriedade’’ e ‘‘demonstra conivência com o mau uso dos recursos públicos’’.
Por outro lado, ontem no final da tarde, a cúpula do PMDB anunciava que o partido absorveria bem a saída de Ovídio - se fosse o caso - desde que o seu substituto fosse peemedebista. O partido chegou até a anunciar a articulação em torno do nome do ex-governador do Rio Moreira Franco, atual assessor especial do presidente Fernando Henrique, para substituir Ovídio no cargo.
O partido, entretanto, fazia uma exigência para o caso da queda do secretário: que Ovídio não fosse execrado publicamente como aconteceu com o ex-ministro das Conunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e o ex-diretor da Polícia Federal, João Baptista Campelo - acusado de ter sido torturador no Maranhão, nos anos 70. Ambos foram mantidos no cargo pelo presidente Fernando Henrique em um determinado dia mas acabaram sendo demitidos depois de se saírem mal em suas explicações no Congresso.
Os peemedebistas pediam ontem que Fernando Henrique agisse rápido neste caso e que só deixasse Ovídio ir ao Congresso (amanhã) se estivesse confirmado na secretaria.

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