PT costura chapão com Álvaro, Requião e o ex-prefeito Cheida
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segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
A direção estadual do PT conversou ontem pela manhã com o senador Roberto Requião (PMDB) para iniciar uma costura em das torno eleições do ano que vem. O partido, que durante anos resistiu ao discurso da direita, amacia ainda mais a linha light adotada no Paraná e sinaliza interesse em fechar acordo até com o que restou do PSDB, depois do revoada promovida pelo governador Jaime Lerner (PFL). A chapa ideal que vem sendo amarrada pelos petistas é com Requião na cabeça, o ex-prefeito de Londrina, Luiz Eduardo Cheida, como o vice e o presidente da Telepar e ex-governador Álvaro Dias (PSDB) como o candidato ao Senado.
A audiência foi comandada pelo presidente do partido, ex-deputado Pedro Tonelli (foto), acompanhado do deputado Ângelo Vanhoni e do vereador de Curitiba Jorge Samek, na casa do senador Requião, em Curitiba. Vanhoni, um dos porta-vozes do grupo que defende PMDB-PSDB-PT mais PCB-PC do B-PPS-PDT juntos, diz que o lançamento de candidatura própria deliberado no último encontro estadual do PT, em Cascavel, e que coloca o ex-prefeito de Londrina como o candidato favorito, não invalida a mais nova investida política do grupo, que ainda não conseguiu o consenso interno. Há uma contradição, mas apenas aparente, admite o deputado.
Vanhoni diz que a inclusão de Álvaro na chapa precisa ser aprofundada internamente, e que hoje atende aos interesses do partido. Estamos com um discurso comum de crítica ao governo Lerner. E uma aliança como essa não implica na abdicação do que pensamos, garante o deputado. Para Vanhoni, a candidatura do presidente da Telepar não interfere pois seria o PT e o PMDB que ficariam com a missão de dar a linha política do novo governo. O PSDB no Acre, por exemplo, vai apoiar um candidato do PT (Jorge Viana) e nem por isso vamos nos anular, afirma.
O PT comandado por Pedro Tonelli deixa claro que, nessa tentativa de aproximação com Requião e Álvaro, a questão regional é coisa dissociada da disputa presidencial. Não vamos abrir mão das críticas que fazemos à política do presidente Fernando Henrique Cardoso, garante Vanhoni que, nos próximos dias, deve acompanhar o comando estadual na primeira audiência oficial com o ex-governador Álvaro Dias.
Na conversa de ontem com Requião, os petistas paranaenses sairam sem nenhuma garantia de que o martelo será batido. O senador disse que a conversa foi boa e admitiu ao PT que as costuras com o PSDB estão adiantadas. Nesse momento, na verdade, o senador dedica-se a viabilizar sua candidatura presidencial. Requião começa nos próximos dias uma caravana por todo o País com os ex-presidentes Itamar Franco e José Sarney em defesa de candidatura própria do PMDB em 98. O senador acalenta a esperança de ser o candidato do partido, com o apoio das esquerdas, contra a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).


