O 12º Encontro Nacional do PT, encerrado ontem em Olinda, consolidou o perfil mais moderado e pragmático do partido. Os radicais da legenda, que representam pouco mais de 30% do diretório nacional, defenderam, sem êxito, emendas às diretrizes do programa de governo que incluíam a moratória da dívida externa e a reestatização de empresas públicas já privatizadas. Todas foram rejeitadas, mas sem provocar divisões.

''O partido saiu unido'', observou o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), lembrando que pela primeira vez a executiva nacional foi eleita por unanimidade, sem divergência. ''Foi um encontro em que a política predominou sobre qualquer tendência'', avaliou o pré-candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva. ''Saímos da fase em que o partido ao invés de apresentar uma proposta de governo fazia muito mais uma pauta de reivindicações.''

Ao debater as emendas apresentadas pelo grupo radical, o secretário de Relações Internacionais, deputado Aloízio Mercadante (SP), qualificou de ''primária, simplista e pretensamente de esquerda'' a visão dos que pregam o calote da dívida. Um dos porta-vozes dos radicais, Valter Pomar rebateu que só quem paga a dívida são os pobres. O deputado Ivan Valente (SP) acrescentou que 92% dos cidadãos que votaram o plebiscito organizado pela Igreja Católica aprovaram o não pagamento da dívida externa. ''Por que o PT não quer assumir isso?'', indagou, criticando o partido por ''querer chegar ao poder a todo custo''.

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