Brasília Deputados e senadores do PT que desobedecerem a orientação partidária nas votações do Congresso, sejam elas quais forem, serão punidos com penas que vão da advertência à suspensão e até à expulsão. O recado às alas radicais do partido, acertado com o Palácio do Planalto, foi dado ontem pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP): ''O PT não abre mão de fechar questões nas votações. Uma decisão da bancada é uma decisão para ser cumprida'', afirmou.
Com a medida, a senadora Heloísa Helena (PT-AL) receberá mesmo uma advertência pública da direção nacional do PT, proposta feita pelo presidente do partido, José Genoino, apesar da movimentação de colegas parlamentares para que seja encontrada uma solução negociada. Heloísa desobedeceu a uma decisão partidária a de comparecer à sessão que elegeu o senador José Sarney (PMDB-AP) presidente do Senado, no sábado.
''Nosso partido fez parte da chapa. Ninguém questionou nossos nomes. Não cabe a nós questionar os dos outros'', disse Mercadante, visivelmente descontente com as explicações de Heloísa Helena para sua ausência a de que não vota em ''representante de oligarquias''.
O líder do governo informou, no entanto, que a decisão a respeito de Heloísa Helena é partidária, instância diferente das tomadas pela bancada. No caso das votações, não haverá perdão. Mas Mercadante disse que o fato de Heloísa Helena discordar de projetos que nem sequer foram enviados ao Congresso como a regulamentação do artigo 192 (do sistema financeiro) e a reforma da Previdência não tem importância alguma no contexto disciplinar, porque não houve nenhuma desobediência. Ainda.
''Nos seus 22 anos de existência, o PT se pautou pela democracia interna, pelo respeito às diferentes opiniões, pelas divergências. Não é porque o partido virou governo que isso vai cair. Portanto, que as alas levem o debate à exaustão, procurem vencer e fazer valer o seu pensamento. Quando a decisão for tomada pela bancada, seja ela qual for, não há caminho de volta. Tem de ser cumprida'', disse Mercadante.
Os líderes do PT no Senado, Tião Viana (AC), e na Câmara, Nelson Pelegrino (BA), foram a José Dirceu. E deixaram o Planalto conscientes que o não haverá nenhuma interferência do governo para evitar a punição.

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