Vinte e um anos depois de sua fundação, no dia 10 de fevereiro de 1980, o PT está diante de seu maior desafio: governar sem se adaptar aos vícios da estrutura política brasileira e convencer a sociedade de que é alternativa viável de poder para a Presidência da República, em 2002. Não é pouca coisa. Na condição de maior partido de oposição do País, o PT que conquista hoje a maioridade civil, tem a responsabilidade de administrar 187 cidades e três estados.
‘‘O grande desafio do PT é manter um pé na mobilização popular, entrar em sintonia com a maioria do eleitorado e representá-la com um programa e um candidato que expressem as expectativas de mudança para o Brasil’’, disse o presidente do partido, deputado José Dirceu, maior cabo eleitoral de Lula.
Na comemoração oficial dos 21 anos do PT, realizada ontem na sede do Parlamento Latino-Americano (Parlatino), em São Paulo, o partido lançou o slogan ‘‘Um outro Brasil é possível’’, adaptação do lema do Fórum Social Mundial que ocorreu em Porto Alegre. Lula reafirmou a disposição de montar um leque de alianças amplo, de centro-esquerda, para a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Mais uma vez, porém, negou que seja candidato.
‘‘Ao atingir a maioridade civil, o PT não depende mais do Lula’’, disse, referindo-se a ele mesmo na terceira pessoa. Ele acrescentou que ainda hoje sua ‘‘grande frustração’’ foi a derrota em 1989, quando disputou o segundo turno das eleições presidenciais para Fernando Collor. ‘‘Vocês não sabem o que é botar a mão no poder e perder’’, lamentou. ‘‘E perder para quem eu perdi.’’
Para o deputado José Genoino, pré-candidato do PT ao governo paulista, é Lula quem ainda melhor representa ‘‘o momento histórico vivido pelo partido’’ em seu processo de amadurecimento. ‘‘As brigas entre tendências do PT causaram muito estrago, mas hoje estão praticamente superadas’’, observou o deputado, que hoje estará em Londrina para coordenar o debate ‘‘Perspectivas Eleitorais para 2002’’, às 9 horas, no Hotel Crystal. Ele é um defensor ferrenho de reformas no Estado. ‘‘Não adianta mais ficarmos marcando posição.’’

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