São Paulo - O PT comemorou ontem 25 anos lançando seu site comemorativo do jubileu de prata, que ficará no ar até o final do ano. Para confeccionar as páginas especiais dos 25 anos - que estarão ligadas ao portal (www.pt.org.br) - o PT gastou cerca de R$ 14 mil.
O Diretório Nacional e os diretórios estaduais do partido estão planejando uma série de atividades que vão desde atos políticos a debates sobre os rumos do partido. As festividades serão concluídas no 13º Encontro Nacional do PT, que ocorrerá nos dias 2, 3 e 4 de dezembro.
O PT empurrou para março as principais comemorações em torno da data. Isso para que o aniversário não seja contaminado ou ofuscado por um outro, incômodo para o partido: no domingo, dia 13, o caso Waldomiro Diniz completa um ano. O episódio em que o então assessor do ministro José Dirceu (Casa Civil) aparecia, numa gravação de 2002, negociando propina não foi o primeiro envolvendo membros do partido em suspeitas de corrupção, mas retirou de vez das mãos do PT a chamada ''bandeira ética'', vendida até então como um dos seus traços distintivos no quadro político brasileiro.
Entre os principais eventos comemorativos de aniversário do PT está a realização de um ato público no dia 19 de março, em Belo Horizonte, que contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dois dias depois, em 21 de março, em São Paulo, o Diretório Nacional e a Fundação Perseu Abramo promovem um seminário nacional que seguirá até o dia 24, com debates sobre conjuntura nacional e internacional, perspectivas e rumos do partido.
Em setembro, haverá o PED (Processo de Eleições Diretas), que escolherá os novos dirigentes do PT em todo o país. A agenda do jubileu de prata prevê também uma conferência que debaterá a relação do PT com os movimentos sociais. A data ainda não foi confirmada.
''Perestroika'' - Dividido entre um passado de oposição e ''radicalismo de esquerda'' e seu presente no governo, de um ''neoliberalismo de corte europeu'', o PT comemora seus 25 anos de fundação pensando em realizar sua ''perestroika'' (movimento reformista que deu transparência às instituições da antiga União Soviética), diz a edição de ontem do jornal espanhol ''El País''.
O momento que poderia dar início à ''perestroika'' do PT deverá ser o 13º Encontro Nacional do PT, em dezembro deste ano, quando deverá ser aprovado o programa para a reeleição de Lula, que deverá estar ''a mil anos-luz do que o PT tradicional defendeu em sua intensa história política e sindical'', segundo o '''El País''.
O drama atual do PT foi não fazer uma revisão interna antes de chegar ao poder, como o Partido Socialista Espanhol de Felipe González, como criticou o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque - um dos seus fundadores -, segundo o ''El País''. ''O PT chegou ao poder com uma visão das coisas que podia lhe valer na oposição, mas não no governo'', diz o jornal espanhol.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para ser eleito, ''renunciou desde o primeiro momento a muitas das exigências esquerdistas de seu partido'', diz o ''El País'', que menciona a ''Carta ao Povo Brasileiro'' (documento lançado pela sua candidatura à Presidência em junho de 2002 no qual afirmava seu compromisso com a estabilidade fiscal e monetária).
O diário espanhol diz ainda que, segundo analistas, ''o PT não entendeu que as eleições foram ganhas por Lula, e não pelo partido''. ''Os eleitores lhe deram 50 milhões de votos, mas não a maioria no Congresso, obrigando-o a fazer acordos com os outros partidos de centro-direita.''

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