PT cobra posição do PSB sobre aliança
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sábado, 17 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
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Antes só...Lula e Arraes, durante o encontro: Tem hora em que a gente precisa ficar sozinho, afirma o governador de PernambucoPressionada pelo PDT para definir a chapa da frente de esquerda com o ex-governador do Rio Leonel Brizola na vice-presidência, a direção do PT cobrou ontem uma posição do PSB a respeito da participação dos petistas na aliança de oposição. O pré-candidato do PT à Presidência da República e presidente de honra da legenda, Luiz Inácio Lula da Silva, encontrou-se ontem em Brasília com o governador pernambucano, Miguel Arraes, presidente nacional do PSB.
Lula disse a Arraes que o prazo limite do PT é 15 de março. Com ou sem aliança, o PT vai ter candidato à Presidência, afirmou o petista, após o encontro.
Arraes negou ter feito restrições ao nome de Lula, mas se queixou da maneira como está sendo conduzida a formação da chapa. Pode ter havido até um equívoco do PT e dos outros aliados (PDT e PC do B) na condução, disse o governador, repassando a irritação dos parlamentares do partido com a definição antecipada da chapa das esquerdas. Mas, em seguida, suavizou as críticas, não descartando a possibilidade de adesão à frente de oposição: Nós vamos trabalhar em cima das convergências.
Após o encontro, que durou quase duas horas e atrasou a viagem ao Rio para a conversa com Brizola, Lula teve o cuidado de declarar: Nós pretendemos montar a chapa na presença de todos. O maior problema enfrentado pelo PT é a cobrança do PDT por uma definição e a lentidão do PSB, que não apresenta as condições para integrar a aliança. PDT e PSB estão em tempos diferentes, o que deixa o PT numa situação difícil, argumentou o deputado Humberto Costa (PT-PE), que participou do encontro entre Lula e Arraes, ao lado do presidente nacional do PT, José Dirceu, e do deputado Almino Afonso (PSB-SP).
Depois das eleições municipais de 1996, o PSB fortaleceu-se, e não quer apenas aderir à chapa das esquerdas. O partido ensaiou o lançamento de candidatura própria com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence ou mesmo com a ex-petista Luiza Erundina. Mas o apoio a uma eventual candidatura de Afonso ao governo de São Paulo pode contentar o PSB.
O governo de São Paulo pode ter interferência nas negociações da eleição presidencial, sinalizou o deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ). Arraes mostrou a Lula as dificuldades internas para uma simples adesão à frente, sem uma contrapartida. O nosso partido teve um crescimento nas últimas eleições, afirmou. Às vezes, as resistências regionais pesam na decisão nacional.
No encontro de ontem com Lula, o governador deixou claro que o problema entre os dois partidos em Pernambuco - o PT vem fazendo ferrenha oposição ao governo - não deverá influir na decisão nacional. Mas, se mostrou que está disposto a continuar discutindo a formação da chapa de esquerda, em compensação, Arraes falou grosso quando disse não temer o isolamento do partido nas eleições se o consenso não for atingido. Tem hora em que a gente precisa ficar sozinho, afirmou Arraes.


