PT cede e aceita CPI dos Correios
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terça-feira, 07 de junho de 2005
Folhapress 
Brasília - Em dia marcado pela inversão de papéis entre governo e oposição, o PT ontem cedeu e finalmente aceitou a CPI dos Correios, 24 dias após a eclosão do escândalo, pela revista ''Veja''. PFL e PSDB, em contraste, obstruíram sessão da Comissão de Constituição e Justiça e evitaram a votação de recurso sobre a CPI que asseguraria sua instalação. A reviravolta petista foi decidida em reunião da bancada pela manhã, motivada pela entrevista do presidente do PTB, Roberto Jefferson, à Folha de S.Paulo, em que denuncia um ''mensalão'' de R$ 30 mil a deputados do PP e PL.
''O governo está investigando, mas os acontecimentos do fim de semana nos levam a dizer que é fundamental que se faça aqui na Casa a investigação'', disse o líder do PT, Paulo Rocha (PA). Em visita ao Congresso, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, disse que o governo é ''enérgico''. ''O governo sempre se dispôs a colaborar com as investigações e, naturalmente a base, mediante os fatos recentes, fez essa posição evoluir'', disse, abandonando de vez o discurso de que as investigações da polícia e dos órgãos de controle do governo seriam suficientes.
No Senado, a bancada do PT deu apoio à CPI. Após rápida reunião, os senadores assinaram uma carta aberta aos deputados petistas, na qual pedem a ''instauração do devido inquérito parlamentar'' para investigar as mesadas -termo que foi evitado. O PT colocou uma condição: que a CPI se limite a investigar os Correios, e não o ''mensalão''. As denúncias de Jefferson mereceriam sua própria CPI.
A estratégia é tentar incluir nessa investigação também denúncias envolvendo o governo anterior, do PSDB, como o suposto suborno de deputados para votar a favor da emenda da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1997. A proposta tem chance escassa de prosperar, no entanto. Houve resistência imediata de líderes aliados, principalmente dos partidos citados por Jefferson.
Em encontro na casa do líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), no final da manhã, líderes como José Janene (PP) e Sandro Mabel (PL) disseram que a investigação da mesada deveria ser feita pela corregedoria da Câmara. ''É muito mais rápido'', justificou Janene.
Reservadamente, líderes aliados acusaram o PT de tentar ganhar pontos junto à opinião pública pedindo a CPI do Mensalão, à custa de outros partidos -partidos menores, como PPS, PV e PDT, também anunciam estar colhendo assinaturas.
O recuo petista ensejou a questão do que fazer na CCJ da Câmara, onde tramita um recurso apresentado pelo vice-líder do governo, João Leão (PL-BA), pedindo a inconstitucionalidade da CPI dos Correios. O recurso caminhava para ser aceito, o que derrubaria a CPI. Mas a nova realidade obrigou a uma reavaliação. A saída foi o governo pedir ao relator do recurso, Inaldo Leitão (PL-PB), que dê parecer dizendo que a CPI é constitucional, desde que investigue só os Correios. Foi a vez de a oposição chiar.
''Não vamos legitimar esse recurso do governo, mesmo que parcialmente. Queremos derrotá-lo'', afirmou o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ). A oposição diz que, se o recurso for aceito, significaria que a CCJ considerou o requerimento que originou o pedido de investigação parlamentar inconstitucional. O Supremo poderia derrubar a CPI.
Tucanos e pefelistas preferem outro caminho: que o recurso seja rejeitado e depois seja feita a restrição. ''Não há problema em a CPI começar com Correios, o depoimento do Jefferson a ampliaria naturalmente'', afirmou Pauderney Avelino (PFL-AM).
A oposição artificialmente prolongou a discussão na CCJ, até que a ordem do dia no plenário começasse, quando o trabalho na comissão precisou ser encerrado. O parecer de Leitão nem chegou a ser lido. Nova reunião foi marcada para hoje pela manhã. Os oposicionistas também querem protelar a decisão da CCJ até que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), indique os membros da CPI.


