PT busca oposição para superar crise
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sábado, 21 de fevereiro de 2004
Ariosto Teixeira<br> Agência Estado 
Arthur Virgílio: condições indispensáveis para sentar à mesa com o PT
Brasília - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já admite a hipótese de procurar os partidos de oposição em busca de um acordo político para superar a crise de governabilidade desencadeada pelo caso Waldomiro Diniz. A oposição, por sua vez, deu indicações ao Palácio do Planalto de que não se negará a participar de entendimentos para estabelecer um ambiente para garantir as condições de governabilidade.
Mas impõe, como pré-requisitos, a investigação parlamentar profunda no caso do ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz e o afastamento do seu superior, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Ambas as condições são consideradas ''inaceitáveis'' pelo Palácio do Planalto.
A idéia de conversar sobre a governabilidade ''é razoável'', disse à reportagem o governador do Ceará, Lúcio Alcântara, eleito pelo PSDB, que faz porém uma advertência: ''Ninguém chegará a lugar algum pondo o outro de joelhos''. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), considera a instalação da CPI do caso Diniz e o afastamento de José Dirceu do ministério como ''indispensáveis'' e diz que será ''o primeiro a sentar à mesa'' em nome da estabilidade institucional.
Num encontro casual nos corredores do Senado, na tarde de sexta-feira, com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Edson Lobão, Virgílio obteve seu apoio à idéia. ''Você está certíssimo; vou falar hoje mesmo com o Sarney'', disse Lobão referindo-se ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). ''A crise hoje é política e já afeta a economia. Mas ela pode evoluir rapidamente para uma crise institucional'', observou Virgílio.
O raciocínio que começa a movimentar as lideranças oposicionistas considera que o ministro José Dirceu se enfraqueceu no episódio e perdeu as condições de se manter no cargo como o principal interlocutor do governo com o mundo político. ''O PSDB terá a seriedade de não acusar o ministro se ele deixar o cargo e reassumir o mandato de deputado'', afirmou o senador Antero Paes de Barros, autor do requerimento da CPI do caso Diniz. ''Se ele comprovar a inocência, poderá voltar tranquilamente ao ministério com um atestado definitivo de boa conduta''.
As iniciativas do governo nessa direção ainda estão limitadas a conversas com alguns governadores, sendo o de Minas Gerais, Aécio Neves, o principal deles. A audiência que o ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo, teve na sexta-feira com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmim, também do PSDB, foi interpretada como a tentativa de construir um caminho para a eventual necessidade de um acordo pela estabilidade, na hipótese de que a crise evolua negativamente. ''Procurar o entendimento e a garantia da estabilidade é a linha dos ministros e dos atores políticos ligados ao governo'', admitiu uma fonte oficial. ''O que se espera é que a oposição, que está no papel dela, não queira esticar a corda e mergulhar o País na ingovernabilidade'', acrescentou.
O que é interpretado como ''um erro'' e uma indicação ''de que a soberba continua'', segundo disse à reportagem um importante parlamentar petista, é a falta de iniciativa governo para atrair para o entendimento as lideranças políticas importantes e honestas do País. Segundo esse parlamentar, que pediu para não ser identificado por temer represálias, o presidente está sendo tolhido pelas ''ilhas em que o governo se fragmentou''. Diz ele: ''Tem lá a ilha Palocci (ministro da Fazenda Antônio Palocci), a ilha Dulci (Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência) e a maior de todas, a ilha José Dirceu''.
Os exemplos de omissão são fáceis de observar, segundo esse parlamentar. Não se tem notícia, lembrou o parlamentar, de que o governo tenha procurado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no mínimo para se aconselhar. Do mesmo modo, acrescentou, até agora sabe-se que sequer foi procurado, para ao menos saber o que pensa e como vê o caso Diniz, o Conselho de Ética do Estado, presidido pelo advogado Piquet Carneiro e que tem, entre seus integrantes, a cientista política Maria Victoria Benevides e os ex-ministro da Indústria, Camilo Pena, e da Fazenda, Marcílio Marques Moreira.


