Brasília - O presidente do PT, José Genoino, está de malas prontas para desembarcar na China. Exatamente 20 anos depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se reunido pela primeira vez com a cúpula do Partido Comunista Chinês em Pequim, como comandante do PT, agora é Genoino quem tem uma agenda oficial de dez dias com o PCC. Os dois partidos assinarão protocolo de cooperação um mês antes da chegada de Lula à China, prevista para 27 de maio.
O que encanta os petistas no PCC é o fato de o partido chinês ter operado as mudanças para ingressar na economia de mercado sem abrir mão da disciplina partidária. ''A China conseguiu combinar centralismo político com abertura econômica e há mais de 20 anos é o país que mais cresce no mundo'', destaca o deputado Paulo Delgado (PT-MG), um dos organizadores da viagem, entre os dias 20 e 30. Genoino acredita que a grande virtude do PCC é o pragmatismo que lhe permitiu promover a modernização do modelo econômico, levando a China à condição de País com maior volume de reservas cambiais, em torno de US$ 400 bilhões. ''Temos de conhecer os planos econômicos, experiências sociais, o quadro social na China.''
''Os dois partidos estão dando muita importância a essa viagem'', afirma Genoino, ao frisar que interessa muito ao governo e ao PT manter boas relações com o PCC. Para Delgado, o governo centralizador chinês é fator de estabilidade na Ásia e quem acompanha as relações internacionais na região sabe o valor do centralismo político da China diante de sua vizinhança belicista.
Genoino explica que, a despeito do interesse do partido e do governo petista em conhecer a experiência chinesa, principalmente a econômica, há uma compreensão geral de que as realidades políticas são diversas e não se misturam. ''O PT aprendeu que cada partido tem seu modelo, sua filosofia e sua maneira de se organizar'', diz Genoino. ''A China é uma experiência que todos têm de conhecer, mas não vamos copiar nada do PCC, nem o PT vai dar lição a ninguém.''

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