Brasília - Em tom cada vez mais elevado de críticas à antiga direção do PT, o presidente nacional do partido, Tarso Genro, disse ontem que o PT era ''quase uma extensão do governo'' e que funcionava ''como uma espécie de ministério sem pasta'', tamanha a informalidade das ligações entre a sigla e o governo. Ao deixar o Palácio do Planalto, onde se reuniu com o ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais), Tarso prometeu, em tom de campanha, que a partir de agora as relações entre PT e governo federal serão feitas ''por instâncias elevadas'', de forma institucional e com formalidade.
''O partido tinha sido, pelo menos até há algum tempo, praticamente uma extensão do governo; funcionava como uma espécie de ministério sem pasta'', disse. Ao reprovar a influência que pessoas do partido tinham nas decisões de governo, anunciou: ''A partir de agora, as relações serão feitas por instâncias elevadas do partido. Quanto à relação de grupo, de personalidade, de indivíduos, é por conta deste indivíduo; não estabelece mais nenhum compromisso do partido com o governo''.
Tarso - que deixou o Ministério da Educação há menos de um mês para assumir transitoriamente a presidência do partido - concordou com a afirmação de que a atual crise política está vinculada à um excesso de intimidade entre o PT e o governo. ''Quanto mais informais são as relações entre instituições, menos elas são previsíveis e menos elas são conhecidas, tanto internamente de todo o governo como do próprio partido'', disse.
O novo presidente do PT vem aumentando suas críticas à direção anterior do partido, na qual o ex-ministro chefe da Casa Civil, deputado José Dirceu (SP), tinha grande influência. A interferência de Dirceu nas decisões da legenda e sua atuação nos bastidores têm incomodado Tarso, que tem cogitado a hipótese de não concorrer às eleições para presidência do PT. Em reunião fechada na terça-feira com a bancada, Tarso foi duro com seus antecessores e disse que o partido foi ''contemplativo'' em relação ao governo.
Ontem, falou que a falta de uma ligação formal reduziu a capacidade do partido contribuir com o governo. A informalidade, segundo Tarso, fez com que o PT deixasse de funcionar ''nas suas instâncias regulares'' e os contatos se dessem ''entre pessoas, não entre governo e estrutura partidárias''.
No encontro de ontem com Jaques Wagner, Tarso defendeu, em nome do PT, que o governo encaminhe a Reforma Política, mesmo que em pequena escala. ''Pelo menos uma minirreforma, para responder a estes fatos abertos aí e que são fatos vergonhosos para a cena pública brasileira'', disse ele. Sugeriu, ainda, que o presidente aceite a proposta da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e convoque o Conselho da República.

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