Curitiba - Depois de um resultado eleitoral inferior às expectativas, o PT no Paraná resolveu levantar ''bandeiras'' para tentar se reestruturar no Estado. Uma reunião da Comissão Executiva Estadual da sigla realizada ontem resultou na elaboração de um documento que, entre outras coisas, orienta os correligionários diante de temas como nepotismo, transparência, participação popular. O conteúdo do documento será reforçado aos prefeitos e vice-prefeitos eleitos pelo PT no último dia 5 em reunião já marcada para o próximo dia 31. ''Queremos que as nossas administrações sejam exemplos'', afirmou Gleisi Hoffmann, reconduzida à presidência do PT no Estado ontem, após derrota nas urnas em Curitiba, onde tentou o Executivo local.
Mas a afirmação sobre as administrações petistas não ocorre à toa. Gleisi admite que agora a legenda precisa de um ''diferencial''. Não só para obter resultados melhores em termos eleitorais, mas também para pensar num plano de resgate do PT. Segundo a deputada estadual Luciana Rafagnin, que ficou à frente do PT estadual durante o período de campanha da Gleisi, o partido acreditava que o ''bom momento'' do governo federal fosse suficiente para conquistar votos nos municípios. ''Mas percebemos que quem estava no poder, independente de partido, saiu favorecido'', analisou Luciana.
O PT disputou, no último dia 5, 114 prefeituras, ganhou 32. Os números revelam um desempenho negativo se comparadas às eleições de 2000 em relação à 2004. Em 2000 o PT fez dez prefeituras de cidades e, em 2004, saltou para 29.
Para reverter o cenário, o PT, então, aposta em ''bandeiras''. ''Definimos que somos contra o nepotismo inclusive no primeiro escalão'', conta Gleisi. Questionada sobre o fato da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) antinepotismo de autoria do deputado estadual Tadeu Veneri (PT) não ter recebido apoio nem entre membros do PT na Assembléia Legislativa, Gleisi explica: ''Naquela época, nós fizemos uma análise de oportunidade. Como não tínhamos condição de ganhar no voto, a maioria decidiu não apoiar. Se uma PEC é rejeitada, ela só pode ser apresentada no próximo ano''.
Gleisi preferiu não entrar na polêmica relativa ao PMDB do governador Requião, que mantém parentes no Executivo e é aliado do PT no Estado. ''Não somos governo estadual.'' Política de alianças e o cenário de 2010 não entraram na pauta do encontro. Os planos para a próxima disputa começam a ser tratados durante reunião do PT nacional, dias 6 e 7 de novembro.
O PT decidiu ainda apoiar o Ministério Público nas investigações sobre funcionários ''fantasmas'' e desvio de salários na Assembléia Legislativa.
O PT também sinalizou que pode questionar pontos da minireforma tributária proposta pelo governo estadual. Na esfera nacional, a cobrança do PT será pela reforma política.

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