PT articula novas alianças em Curitiba
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Após garantir o apoio do PMDB já no primeiro turno, o PT de Curitiba sai em busca de outras alianças visando às eleições para prefeito em outubro. Segundo o pré-candidato do partido, Ângelo Vanhoni, o momento é propício para consolidar uma frente capaz de tirar do poder o grupo ligado ao prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL).
Além de siglas de esquerda que já costumam coligar-se com o PT, como o PC do B, PCB e PHS, Vanhoni defende a aproximação com outros partidos. Algumas das siglas que atraem a atenção do PT são o PTB e o PL, por terem um tempo maior de propaganda eleitoral na tevê do que os partidos menores. Entretanto, a menor menção de aliar-se com as duas legendas causa a reação furiosa de uma ala que não quer ver uma coligação de partidos que, durante a maior parte do mandato de Cassio, estiveram ao lado do prefeito.
A resistência maior a uma aliança com partidos que não são de esquerda vem do grupo formado pelo deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, pelo deputado estadual Tadeu Veneri e pelos vereadores Adenival Gomes e Paulinho Lamarca. Vanhoni reconhece que será difícil mudar a opinião desses parlamentares. ''Felizmente temos no PT uma democracia que permite que cada um tenha suas opiniões. Vamos levar esse assunto para a discussão interna no partido. Mas eu sou amplamente favorável a atrair o maior número de partidos que possam se unir em torno de um progama por Curitiba'', comentou.
Enquanto o PT comemorava a adesão dos peemedebistas, os pré-candidatos do PMDB à prefeitura, derrotados pela tese da coligação no primeiro turno, lamentavam o resultado da convenção municipal de terça-feira. O deputado federal Gustavo Fruet anunciou ontem que não irá mais seguir a orientação política do governador Roberto Requião (PMDB), embora permaneça no partido. Na próxima semana, Fruet se encontra com o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, para anunciar sua independência em relação ao governo estadual.
Fruet considerou ''uma atitude covarde'' do PMDB a desistência da candidatura própria à sucessão de Cassio. ''O PMDB virou o partido do medo. Não teve a coragem de investir em um candidato para o futuro, como o PT fez com o Vanhoni e até mesmo com o próprio Lula. Participo das eleições politicamente para auxiliar nossos vereadores, mas considero que o partido está perdendo sua unidade ideológica'', disse Fruet.
Apesar do rompimento de Fruet, ainda não está definido o futuro de sua irmã Eleonora Fruet frente à secretaria estadual do Planejamento. ''Ela está nessa função por méritos dela e pela sua competência. Cabe a ela tomar a decisão que julgar melhor, independente do resultado da convenção'', disse Fruet. A Folha tentou contato com Eleonora, mas não obteve retorno.
O outro pré-candidato derrotado, Rafael Greca, também lamentou o resultado da convenção. ''Os antigos gregos diziam que pecado era um ser humano não executar todos seus potenciais. Para aqueles sábios fundadores da boa política, pecado era não participar. Assim, ontem, na visão clássica da prática política, o PMDB cometeu um pecado. Queira Deus, não lhe seja mortal'', afirmou o deputado ontem em nota oficial.


