O comando da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admite que seu candidato pode perder a eleição por expor a gravidade da crise financeira mundial e propor medidas de emergência consideradas polêmicas, como o controle do câmbio, mas prefere assumir o risco. Motivo: a última cartada que o PT vai jogar para forçar o segundo turno apela justamente para a ‘‘consciência’’ do eleitor diante do que pode acontecer com o Brasil por causa da crise.
‘‘Estamos correndo o risco de o eleitor não votar no Lula pela sinceridade porque ele diz o que vai fazer, enquanto o presidente Fernando Henrique Cardoso mente, esperando ganhar a eleição no dia 4 de outubro para só depois tomar as medidas amargas’’, afirmou o presidente do PT, José Dirceu. É com esse discurso que a cúpula petista vai pedir ao eleitorado o que está chamando de ‘‘seguro contra a crise’’ e um ‘‘voto de confiança’’ à oposição.
Os estrategistas da campanha têm repetido que, se outros candidatos da oposição, como Ciro Gomes (PPS) e José Maria de Almeida (PSTU), crescerem um pouco na preferência dos eleitores, a segunda rodada da disputa à Presidência estará garantida. Eles avaliam que, nesse caso, o beneficiado seria Lula. ‘‘A situação, hoje em dia, não tem nenhuma semelhança com a verificada em 1994’’, argumentou o historiador Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de governo do petista.
Na sua interpretação, mesmo que Fernando Henrique não tivesse vencido a eleição no primeiro turno e disputasse o segundo round com Lula, dificilmente o resultado seria diferente. ‘‘Naquela época, a nossa posição foi soterrada pelo Plano Real’’, constatou Garcia. ‘‘Mas, atualmente, parte da população está descontente com o governo e não podemos sair politicamente diminuídos dessa eleição porque o pior risco é sermos acusados de omissão.’’
Para conquistar o voto de 5% a 10% do eleitorado e levar Lula ao segundo turno, o PT decidiu intensificar os ataques a Fernando Henrique, que está sendo apresentado na propaganda política da frente das esquerdas como culpado pelos reflexos da turbulência internacional no Brasil. ‘‘Não é verdade que o País não tem alternativas nessa situação’’, comentou Dirceu. ‘‘O País poderia ter desvalorizado a moeda há seis meses ou um ano.

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