Curitiba - A Executiva Estadual do PT foi autorizada ontem a implementar a participação oficial do partido dentro da administração do governador Roberto Requião (PMDB). A autorização foi dada formalmente no seminário que começou na sexta-feira e terminou ontem, em Curitiba.
Foram 33 votos favoráveis à participação petista e um contrário (o voto partiu da base voltada ao setor do trabalho e que tem críticas ao governo Requião). ''Fizemos uma avaliação um pouco mais sintonizada sobre o momento político. A Executiva pode começar a dialogar com o governador Requião e tem o aval do partido para fazer composições e indicar membros para compor secretarias, num eventual convite'', avaliou o deputado federal eleito André Vargas, presidente do PT do Paraná.
A Executiva aguarda a convocação de uma reunião para que os ajustes e a forma de participação no governo sejam acertados. Vargas lembrou que o PT não quer repetir a aliança ''desastrosa'' de 2002 - quando alguns petistas foram chamados individualmente para compor o governo, sem o aval do partido. ''O formato da relação do PT com o governo Requião foi ruim. A participação foi individual. O partido não esteve em nenhum momento envolvido com o governo'', reclamou Vargas, que fez várias críticas ao governo Requião, ao lado de outros petistas como o próprio ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo.
Quando assumiu em 2003, Requião disse à imprensa que iria governar o Paraná ao lado do PT - por conta do apoio decisivo que teria sido dado no segundo turno das eleições. Vargas complementou que o PT quer participar de secretarias voltadas para as questões sociais como agricultura, trabalho, assistência social e educação. ''Temos quadros para participar dessas secretarias sem que tenhamos que lançar mão do expediente de acomodação de derrotados eleitorais. Temos excelentes lideranças'', pontuou.
Apesar de ter áreas de interesse, Vargas adiantou que o PT não fará exigências. ''Ele (Requião) é o dono do mandato. Por isso, vamos dialogar''. Uma das exigências que deverão ser feitas é o estreitamento das relações entre os governos federal e estadual no intuito de aparar as arestas e evitar os constrangimentos ocorridos durante o primeiro governo de Requião - que fez críticas duras ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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