O Diretório Estadual do PT em São Paulo vai decidir hoje, a partir das 19 horas, a posição do partido no segundo turno das eleições no Estado. A tendência, apontada em reunião na semana passada, é a adoção de uma postura ‘‘neutra’’, que pode ser traduzida por um distanciamento das candidaturas de Paulo Maluf (PPB) e de Mário Covas (PSDB).
O presidente estadual do PT, Antônio Palocci, eleito deputado federal, não quis fazer prognósticos. Ele admitiu, entretanto, que considera difícil que o encontro altere a indicação de neutralidade, aprovada na semana passada.
Os 61 integrantes do Diretório Estadual devem decidir entre quatro alternativas: apoio a Covas, condicionado à inclusão de propostas petistas no programa de governo tucano; apoio incondicionado ao governador; neutralidade, com críticas aos dois candidatos; ou defesa do voto nulo. Se não houver uma definição na reunião de amanhã, o partido vai convocar um encontro estadual para o próximo domingo.
No fim de semana, Covas admitiu incluir idéias do PT em seu programa em troca de apoio no segundo turno. Maluf não deixou por menos e afirmou que incorporaria ao seu plano de governo o projeto bolsa-trabalho, da candidata petista Marta Suplicy. Palocci considera as iniciativas positivas, mas mantém a cautela. ‘‘Não podemos reclamar’’, disse. ‘‘Só espero que não seja uma atitude eleitoreira.’’
No Rio Grande do Sul, a campanha do candidato do PT ao governo do Estado, Olívio Dutra, recebeu ontem o reforço de alguns dos principais líderes da esquerda do País. O presidente de honra e ex-candidato do partido à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve ontem na capital gaúcha na primeira de suas três visitas programadas para o segundo turno. Até o final desta semana a ex-candidata do partido ao governo de São Paulo, Marta Suplicy, também deverá viajar ao Estado e na próxima será a vez de Ciro Gomes, do PPS, e Leonel Brizola, do PDT.
Lula participou ontem das gravações de programas para o horário eleitoral gratuito e visitaria os municípios de Sapiranga e Novo Hamburgo, na região calçadista do Vale do Sinos, e Caxias do Sul na serra. Hoje ele vai a Bento Gonçalves e Farroupilha. O líder nacional do PT retornará ao Rio Grande do Sul na próxima sexta-feira, quando irá a São Borja e Itaqui, na região da fronteira, além de Caçapava do Sul e São Sepé.
Rumos Em Minas Gerais, a esquerda não mantém unidade neste segundo turno e os partidos que integravam a Coligação Minas Para Todos, de Patrus Ananias (PT), tomaram rumos diferentes. O PT decidiu, no último sábado, manter-se neutro na disputa pelo governo, embora a maior parte dos 27 prefeitos do partido no Estado tenha manifestado apoio informal ao candidato do PSDB, Eduardo Azeredo, como fez o PV. O prefeito de Betim, importante cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Jésus Lima (PT), decidiu apoiar o candidato do PMDB, Itamar Franco.
O PSB e o PC do B também decidiram pelo apoio ao ex-presidente. O PCB seguiu o caminho do PT e optou pela neutralidade. Itamar teve 3.080.896 votos no primeiro turno (38,32% dos votos válidos). O tucano Azeredo recebeu 2.665.475 votos (38,32%). O petista Patrus recebeu 1.122.007 (16,13% dos votos válidos).
O PDT deveria decidir na noite de ontem, em reunião do partido, o rumo que irá tomar no segundo turno da eleição em Minas Gerais. O partido é o único que estava coligado com Patrus no primeiro turno e que ainda não se decidiu. A senadora Júnia Marise (PDT), que teve 41,40% dos votos válidos e foi derrotada por José Alencar (PMDB) na disputa para o Senado, já anunciou que vai apoiar Azeredo. (Colaborou Sérgio Bueno/AF)

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