PT ajudará candidatos a defender Lula
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sexta-feira, 14 de maio de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Uma das maiores preocupações do PT para as eleições deste ano é municiar seus militantes e candidatos a prefeito e a vereador com informações para responder aos ataques que vêm sendo feitos até por aliados ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. O partido informou ontem que o presidente não participará diretamente das campanhas municipais.
Para transmitir essas informações, o partido reuniu cerca de 1.500 pré-candidatos e militantes de todos os Estados em um encontro nacional num hotel de luxo em São Paulo. O evento começou ontem e termina hoje.
O presidente nacional do PT, José Genoino, repetiu várias vezes que o objetivo do encontro é unificar o discurso petista em todo o país. Para ajudar, chamou ministros como José Dirceu (Casa Civil) e Antonio Palocci (Fazenda) para dar palestras.
A imprensa não teve acesso às conferências dos ministros, mas petistas afirmaram que Dirceu recomendou que os candidatos priorizassem as questões municipais em vez de ''federalizar'' as campanhas locais , mas que não deixassem de responder às críticas ao governo federal. Palocci, segundo participantes do encontro, voltou a defender os avanços da política econômica.
É com esse tipo de munição que os petistas pretendem ''afastar de nossas fileiras os urubus do derrotismo'', como disse em seu discurso a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy.
Os demais líderes petistas que discursaram na abertura do evento ofereceram argumentos aos presentes. O presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), por exemplo, afirmou que Lula alcançou a estabilidade política e econômica. ''Foram medidas duras e amargas (na economia), muitas vezes contra nossa vontade pessoal, mas o governo trabalhou com maestria.''
A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), disse que é fundamental que os petistas se orgulhem de ser governo. ''O PT fez 24 anos neste ano. Esse é um número emblemático. Temos que assumir que agora somos governo.''
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do governo na Casa, alfinetou os tucanos lembrando que o presidente Lula já foi apontado como um dos homens mais influentes do mundo. ''Porque foi dormir no palácio da rainha ou porque é poliglota (como Fernando Henrique Cardoso)? Não. Porque age na política externa com a cabeça erguida.''
Quem respondeu às críticas de que o governo petista exagera no número de conselhos e reuniões foi o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência): ''As reuniões são um instrumento da democracia. É falsa a idéia de que uma pessoa resolve tudo sozinha dentro de um gabinete. Basta lembrar que aprovamos duas reformas (tributária e previdenciária) em um ano. Os oito anos anteriores foram de autoritarismo''.
Segundo José Genoino, Lula não participará das campanhas municipais do partido. ''Ele estará governando o país. O grande cabo eleitoral será o próprio PT.''
Num encontro fechado para a imprensa, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, teria reafirmado a manutenção da atual política econômica do governo federal. Segundo petistas que participaram da reunião, Palocci teria destacado os resultados da política econômica, como a redução da vulnerabilidade externa. Para os que teriam cobrado resultados da política social, Palocci teria dito que os ''tempos da política econômica são diferentes dos tempos da política social''.


