PT ainda não definiu caso Rio
PT ainda não definiu caso Rio
Helio Gama Neto
e Wilson Tosta
Agência Estado
O PT começou a decidir ontem a solução para a mais dura batalha pelo poder interno na história da legenda e a confirmação da frente de partidos de esquerda, composta também pelo PDT, PSB e PCdoB. Durante o encontro nacional da legenda, na quadra do Sindicato dos Bancários, em São Paulo, os dirigentes petistas pretendiam, à noite, pôr em votação, numa plenária de cerca de 550 delegados, o recurso contra a decisão tomada pela direção nacional do PT de anular a convenção regional que escolheu o ex-deputado Vladimir Palmeira para disputar o governo do Rio.
A intervenção era uma exigência de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do partido à Presidência. Lula precisava garantir o apoio à candidatura de Anthony Garotinho (PDT) à sucessão fluminense para manter a aliança dos partidos de esquerda. O presidente pedetista, Leonel Brizola, condicionava sua permanência na vaga de candidato a vice-presidente ao apoio do PT a Garotinho.
Mas o grupo de Vladimir recorreu, com o aval da maior parte do campo radical do PT, colocando em choque os petistas moderados - grupo de Lula e do presidente do partido, José Dirceu - e a chamada esquerda da legenda.
Havia receio de um confronto mais duro entre as duas correntes durante o encontro, que se encerra hoje, mas até o começo da tarde de ontem o clima era de tranquilidade. A tendência permanecia sendo a de vitória do campo majoritário, ligado a Lula, com a manutenção da anulação da candidatura Vladimir.
AlternativasOs radicais, entretanto, contavam com um bom número de simpatizantes, funcionando quase como uma torcida organizada, que insistiam na legalidade da convenção fluminense. Eles apontavam o que chamam de atitude autoritária da direção e apostavam na emoção que sempre cerca os encontros petistas para reverter o quadro.
Reservadamente, porém, os delegados ligados a Vladimir já falavam em alternativas no caso de derrota. Uma reunião plenária marcada para o próximo dia 28, no Rio, deverá decidir entre recorrer à Justiça para garantir o resultado, fazer campanha para toda a chapa da frente das esquerdas - menos para Garotinho - ou a desfiliação em massa e o voto nulo.
A alternativa da campanha pela chapa, mas sem o apoio a Garotinho, era a mais viável. Que a pecha do tapetão fique com quem cassar o Vladimir, disse um dos líderes do grupo, Chico Alencar, contrário ao recurso na Justiça.
A hipótese de a convenção legal do Rio, em junho, não homologar a anulação da candidatura de Vladimir e o apoio a Garotinho, caso o encontro deste fim-de-semana escolha este caminho, foi descartada por José Dirceu e por dirigentes nacionais. Isso nunca aconteceu, em 18 anos de PT, afirma Luiz Rodolfo Viveiros de Castro, do diretório regional do PT do Rio.





