Brasília - O PT agiu ontem duramente para garantir o apoio total da bancada do partido à medida provisória do governo que estipulou o valor do salário mínimo em R$ 260. A líder do PT e do bloco governista no Senado, Ideli Salvatti (SC), destituiu o senador Paulo Paim (PT-RS) da vaga de vice-presidente da comissão especial que discutirá o assunto por ele ser assumidamente contrário à proposta enviada pelo governo e defender um mínimo mais elevado. Excluído da comissão, o senador Paulo Paim disse ontem que está preparado para ser expulso do PT, caso o partido feche questão a favor do valor concedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador Dulciomar Costa (PTB-PA), do bloco governista, cuja posição poderia contrariar a do Palácio do Planalto, também foi trocado pelo senador Sibá Machado (PT-AC).
''Eu voto contra os R$ 260 e o PT tem todo o direito de encaminhar o pedido de expulsão'', afirmou o senador Paim, que, na noite de quinta-feira, foi alertado da possibilidade de afastamento da comissão pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). ''Fiquei chocado, pois sempre fiz parte de todas comissões do Congresso que examinaram o salário mínimo'', ressaltou o senador Paim, que foi substituído pelo senador Tião Viana (PT-AC), mais afinado com o governo.
Mesmo oficialmente afastado da comissão, Paim promete fazer barulho, pois não pretende perder os debates previstos para a próxima semana, apesar de não ter mais direito a voto. ''Não tem como abafar esse debate'', enfatizou. Na verdade, ele queria ser relator da MP. Mas, como a indicação de seu nome para integrar a comissão mista, feita pela própria Ideli, chegou atrasada, foi escolhido o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ).
A liderança do PT informou a Paim que ele não poderia ser vice-presidente da comissão por ser membro da Mesa Diretora do Senado e, como o presidente é o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o cargo de vice deveria ser oferecido a um deputado. O senador petista já apresentou cinco emendas à comissão mista, todas propondo valores em torno de R$ 300, próximo a US$ 100.
Paim disse também ser contra a idéia do governo de desvincular os benefícios da Previdência do salário mínimo, anunciada pelo presidente Lula ao presidentes de partidos aliados, em reunião na quinta-feira. O impacto nas contas da Previdência é o principal argumento do governo para não conceder um reajuste maior do mínimo. ''Essa desvinculação seria uma loucura e uma emenda constitucional nesse sentido não passa no Congresso'', previu o senador do PT. Além de classificar como uma medida equivocada, Paulo Paim ressaltou que seria ''mais um erro político'' do Governo Lula.
Em nota à imprensa, Ideli Salvatti afirmou que a substituição dos representantes do bloco de apoio ao governo na Comissão Mista do salário mínimo ''não foi uma decisão isolada''. ''Eu e o Arlindo tiramos uma estratégia comum'', argumentou a senadora, referindo-se ao líder do partido na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ela explicou que os dois líderes do PT resolveram nomear novos representantes ''que defendessem a posição do governo, após um acordo entre a base e a oposição para desobstruir a pauta na Câmara em troca do funcionamento da comissão''.

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