O PT adotou a mesma tática que os partidos de centro utilizam para aumentar suas bancadas. Pôs de lado antigas exigências e ofereceu facilidades para atrair novos petistas. Obteve êxito. Com a adesão de três deputados na véspera do prazo final para a troca de partidos, aumentou a bancada de 56 para 59. O PT comemora ainda a filiação de Delcídio Gomes, ex-homem forte do PMDB e da Petrobrás. A indicação de Delcídio para uma das mais poderosas diretorias da Petrobrás - a que cuida do setor de gás - pelo PMDB foi uma das principais causas da briga dos ex-senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Jader Barbalho (PMDB-PA).
Foi a imagem que o PT tem de partido ético que atraiu os três recém-chegados. O paranaense Flávio Arns está no terceiro mandato, sempre eleito pelo PSDB. Diz que procurou o PT porque seu partido não tinha mais condição de falar em ética. Tanto é que, há alguns meses, liderou uma dissidência. Assinou até o requerimento de instalação da CPI da Corrupção, que atingiria diretamente o governo Fernando Henrique Cardoso.
Arns, que é sobrinho do arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, afirma que está sendo tão bem tratado no PT que pode dizer com sinceridade: ''Nunca, em minha vida, imaginei que tivesse um partido que desse tanto apoio a seus filiados.''
O deputado Pedro Eugênio já foi um radical do PCB. Hoje é um moderado. Estava no PPS, mas preferiu deixar o partido porque viu no PT maiores condições de fortalecer sua candidatura à reeleição, em Pernambuco. Fez carreira como secretário dos vários governos de Miguel Arraes, presidente nacional do PSB, seu primeiro partido. Também diz que não tem medo da discriminação das diversas tendências internas do PT, porque por enquanto está sendo muito bem recebido.
Fernando Gabeira retorna ao PT. Mas, no fundo, sempre foi do Partido Verde. Diz que só se filiou ao PT para disputar o governo do Rio de Janeiro em 1986 porque o PV não estava legalizado. Mas, em 1989, tudo estava certo com os verdes. Candidatou-se a presidente da República, na eleição vencida por Fernando Collor. Gabeira afirma que deixou o PV por questões internas e que, no PT, manterá sua atuação voltada para a defesa do meio ambiente, das minorias e de propostas ousadas na área do comportamento.

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