PT admite dificuldade para instalação da CPI do Lalau
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segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Valéria de Oliveira Agência Folha De Brasília 
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Aloizio Mercadante (SP), admitiu, ontem, que o depoimento de Eduardo Jorge semana passada esfriou a CPI que a oposição quer instalar. Com a comissão, os partidos de oposição pretendem investigar as relações do ex-secretário-geral da Presidência com as liberações de verbas para a obra superfaturada do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo e as ligações de EJ com o juiz foragido Nicolau dos Santos Neto. O depoimento foi feito para isso (esfriar a CPI), disse Mercadante. Para o líder, houve incompetência da arguição.
O (problema da obra do) TRT não é só o Nicolau, afirmou. Tem gente do Executivo e do Judiciário e pode ter também (pessoas) do Legislativo. Mercadante reiterou que os partidos oposicionistas pretendem continuar lutando pela instalação da comissão.
Com o PC Farias foi a mesma coisa, comparou o líder, referindo-se ao depoimento que o tesoureiro da campanha eleitoral do ex-presidente Fernando Collor prestou na CPI que resultou no impeachment de Collor. Os coloridos também ficaram satisfeitos (com o desempenho de PC), lembrou Mercadante, ironizando a comemoração dos governistas após o depoimento de EJ.
Para conseguir o número de assinaturas de deputados (171) e de senadores (27) necessárias para abrir a CPI, Mercadante informou que a oposição apostará no corpo-a-corpo com os parlamentares nesta semana.
Terminados os trabalhos desta semana, a Câmara só voltará a se reunir na última semana de agosto, por causa do recesso branco que acontecerá em função das eleições municipais. Vamos investir também na pressão de fora para dentro, disse Mercadante. A oposição quer dar a primeira demonstração de apoio popular à CPI na próxima quinta-feira.
Está prevista uma vigília na porta do Congresso patrocinada por diversas entidades sindicais e populares, além dos partidos oposicionistas. A intensificação da pressão se dará com o início dos programas eleitorais, a partir do próximo dia 15. Pelo menos 95 deputados são candidatos a prefeito. Mercadante disse que ainda não sabe o número de assinaturas coletadas até agora.


