São Paulo A Executiva Nacional do PT decidiu novamente adiar a reunião do Diretório Nacional, que entre outras coisas decidirá a situação dos deputados João Fontes (SE), João Batista Araújo, o Babá (PA), e Luciana Genro (RS), e da senadora Heloísa Helena (AL) de 25 e 26 de outubro para 15 e 16 de novembro. A expulsão é tida como certa pelo presidente nacional do partido, José Genoino.
A Comissão de Ética, que apresentaria ontem ao partido um relatório sobre o desligamento dos parlamentares da legenda, protelou a apresentação para o dia 3 de novembro. Segundo Genoino, a comissão ''pode produzir pareceres em prazos dilatados''.
A manobra, no entanto, pode ser vista como uma medida para esperar a posição de Heloísa Helena na votação da reforma da Previdência, que já disse que votará contra, para que o partido não passe pelo desgaste político de expulsar quatro integrantes em dois momentos.
O secretário de organização do PT, Sílvio Pereira, disse que essa hipótese não foi levantada na reunião da Executiva, mas que ''votaria por isso'', e que ainda tem ''esperanças de que a senadora (Heloísa Helena) acate as decisões do partido''.
Essa não é a primeira vez em que a reunião do Diretório Nacional é adiada. A expulsão dos radicais, medida que só pode ser tomada pelo Diretório, estava marcada inicialmente para meados de setembro.
Os atrasos também podem ser lidos como uma manobra da direção do partido para impedir que, expulsos, esses parlamentares radicais consigam dentro do prazo da legislação se filiar a outros partidos para concorrer às eleições municipais. O prazo se encerrou no último dia 3.
Além disso, o atraso fere o estatuto do PT, que prevê 60 dias, prorrogáveis por mais 30, para que a Comissão de Ética conclua o trabalho, prazo que já expirou em agosto.
Lula Pereira disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deseja participar da reunião do Diretório Nacional do PT que vai decidir o futuro dos radicais. Além do presidente, a próxima reunião do Diretório pode contar com a presença de todos os ministros petistas.
Segundo Pereira, no encontro serão debatidas a renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a integração com a Alca e a medida provisório que liberou o plantio de soja transgênica.
Também seria discutida a estratégia eleitoral do PT e a política de alianças para as eleições municipais do próximo ano, ainda não definidas pela cúpula do partido.

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