O PT denunciou ontem a existência de uma articulação para denegrir a imagem do partido no segundo turno das eleições em Curitiba. O deputado federal Dr. Rosinha (PT) enviou à imprensa cópias de duas cartas com orientações para que, durante a campanha, os funcionários da prefeitura e do governo do Estado explorem ‘‘as invasões de terras promovidas pelo PT e MST’’. A carta recomenda ainda a divulgação de que ‘‘a cidade será sitiada pelo pelotão do PT e que a população corre perigo ao entregar a cidade às administrações do PT’’.
As cópias dos documentos estão sem qualquer assinatura, a não ser a primeira – ‘‘Avaliação/Considerações/Conclusões’’ – que traz, no cabeçalho, a inscrição ‘‘Novo Milênio’’, um dos comitês do prefeito e candidato à reeleição Cassio Taniguchi (PFL).
Dr. Rosinha considerou o teor das correspondências ‘‘um absurdo’’. ‘‘Estão obrigando as pessoas a ter uma atitude anti-PT’’, acusou. Na eleição de 1996, o deputado também denunciou à Justiça Eleitoral que o então prefeito Rafael Greca (PFL) estaria mobilizando a Guarda Municipal para trabalhar na primeira campanha de Taniguchi. O petista estuda agora uma nova ação.
O texto da carta que seria de autoria do comitê ‘‘Novo Milênio’’ tem dez pontos e pede para ‘‘reavaliar a estratégia utilizada no 1º turno’’. Em seguida, orienta a intensificação da campanha ‘‘nas zonas eleitorais da classe média e alta onde houve voto de repúdio/protesto no PT e nos centros acadêmicos, juventude etc.’’ ‘‘Explorar as invasões de terra promovidas pelo PT e MST. Falar que a cidade será sitiada pelo pelotão do PT’’, diz outro trecho.
O último trecho diz que é preciso ‘‘colocar o perigo que a população corre ao entregar a cidade as administrações do PT’’. A outra carta, ‘‘Sugestões e propostas de trabalho’’, orienta a necessidade de ressaltar o apoio do PSDB ao PT no segundo turno. ‘‘Alvaro Dias apoiando o PT, pertence ao partido de FHC. Foi quem soltou os cavalos em cima dos professores (mostrar fita)’’, diz o texto.
A correspondência também revela parte da estratégia que seria adotada no próximo dia 29: ‘‘Balas para o dia ‘D’ – boca de urna; colocar os presidentes de associação de bairro/remunerados para boca de urna’’. Esse texto traz uma susgestão para ‘‘reverter o voto da classe média alta que votou no PT (comerciantes)’’.
‘‘Isso não partiu da coordenação da campanha. Estamos investigando a origem dessas cartas, porque nos causou estranheza como essas cópias foram parar nas mãos do Dr. Rosinha’’, informou no começo da noite o coordenador jurídico da campanha do PFL, Eraldo Kuster. Procurador licenciado do município, Kuster afirmou que ‘‘não convocou ninguém’’ da Procuradoria, por exemplo, para trabalhar na campanha porque ‘‘todos têm o direito de opinar’’. ‘‘Eles (os funcionários) têm que vestir a camisa da administração municipal, e não a do prefeito’’, comparou.
Ele também disse que é preciso avaliar ‘‘qual o objetivo’’ do PT em divulgar essas mensagens. ‘‘Até agora não tivemos nenhuma comprovação de uso da máquina administrativa’’, salientou. Os adversários de Taniguchi ajuizaram pelo menos quatro ações na Justiça Eleitoral denunciando abuso do poder econômico e uso da administração municipal e estadual durante o primeiro turno.

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