Brasília - A cúpula do PT reúne-se hoje com a bancada petista na Câmara para enquadrar os deputados e fechar questão em favor do salário mínimo de R$ 260. O discurso em apoio ao governo na votação da medida provisória (MP) do mínimo foi construído ontem, em uma reunião prévia sob o comando duplo dos presidentes nacional do PT, José Genoino, e da Comissão Mista de Orçamento, deputado Paulo Bernardo (PT-PR), e com a ajuda do líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP).
''O salário mínimo de R$ 260 é o maior aumento possível e representa um reajuste acumulado neste governo 6 vezes maior daquele concedido ao final dos primeiros 4 anos de mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso'', destacou Professor Luizinho, na conversa de cerca de 40 petistas do chamado ''campo majoritário'' do partido. Terça-feira, 14 petistas divulgaram o ''Manifesto pela recuperação significativa do salário mínimo'' pedindo que o valor seja fixado em R$ 300.
Outra dificuldade do governo são os deputados-candidatos às eleições municipais de outubro. Depois do PTB, onde seis pré-candidatos a prefeito deverão ser liberados do voto em favor da MP do mínimo, ontem foi o PMDB que comunicou a intenção de livrar os candidatos deste desgaste.
Segundo Professor Luizinho, porém, o discurso dos governistas está consistente, porque dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que o salário mínimo proposto pelo atual governo é o que tem o maior poder de compra de 1995 para cá. Mas, segundo o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), o que valerá mesmo na hora de articular o fechamento de questão é a negociação paralela em favor de uma política permanente de recuperação do valor real do mínimo.

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