Curitiba - A bancada do PT na Câmara de Curitiba começou um movimento com o objetivo de acabar com o nepotismo no Legislativo municipal. Nepotismo significa, na prática, a contratação de parentes de políticos para cargos públicos. O líder do PT, vereador Adenival Gomes, protocolou em maio um projeto de resolução proibindo a contratação de parentes de vereadores nos gabinetes. A proposta espera avaliação no Departamento Jurídico da Casa.
  A nomeção de parentes de políticos não é ilegal, mas é considerada imoral por parte dos vereadores. Os parentes são nomeados para cargos em comissão, aqueles que não precisam de concurso público. Por serem classificados como cargos de confiança, os comissionados são escolhidos por critérios políticos. A proposta da bancada petista é ambiciosa, pois ainda pretende acabar com o nepotismo no Poder Executivo de Curitiba. Isso precisa ser feito por meio de emenda à Lei Orgânica do Município, protocolada no dia 9 de junho e que também está no Departamento Jurídico. Essa segunda proposta foi assinada pelos seis vereadores do PT: Adenival Gomes, André Passos, Nilton Brandão, Paulinho Lamarca, Pedro Paulo Costa e Roseli Isidoro. O texto diz que fica vedada na administração pública municipal a nomeação de ‘‘cônjuge, companheiro ou parente, consangüíneo ou afim, até o terceiro grau por adoção’’. Para tramitar, essa emenda precisa do apoio de um terço dos 35 vereadores, ou seja, 12 assinaturas.
  O PT propõe que os atuais parentes nomeados sejam exonerados dentro de 90 dias, a partir da aprovação da proposta. Para virar lei, os projetos precisam ser aprovados pelo plenário e sancionados pelo prefeito.
  As nomeações são publicadas em Diário Oficial. Um dos exemplos na Câmara de Curitiba é o do gabinete do vereador Carlos Bortoletto (PFL). Entre seus assessores, três têm o mesmo sobrenome dele. Os salários dos comissionados na Câmara variam de R$ 500,00 a R$ 5 mil. A Folha tentou contato, na sexta-feira, com Bortoletto, mas ele não foi localizado. O presidente da Câmara, João Cláudio Derosso (PSDB), também foi procurado para comentar o assunto, mas não foi encontrado.
  Não é só na Câmara de Curitiba que ocorre nepotismo. Essa prática já foi alvo de crítica recente no município de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). No dia 16 de maio – e depois de duas tentativas frustradas –, o vereador Luiz Piva (PT), conseguiu levar a plenário da Câmara de Almirante Tamandaré um projeto de lei que proibia a contratação de parentes de políticos da cidade para cargos em comissão. Mas a projeto foi vencido por nove votos contrários e apenas dois a favor. Piva denunciou que 11 parlamentares mantêm parentes como funcionários em cargos em comissão.

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