PT 25 anos: esquerda pede novos rumos na economia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de março de 2005
Angela Lacerda<br> Agência Estado 
Recife - O clima da comemoração dos 25 anos do PT, hoje, em Recife (PE), não deverá ser amistoso. A esquerda do partido divulgou ontem uma ''Carta Aberta aos Petistas e Às Petistas'' em que enfatiza a necessidade de mudanças na política econômica do governo; prega um reencontro com os compromissos históricos de defesa dos interesses de quem trabalha e produz as riquezas da nação; e defende que mais importante que o crescimento do PIB é o resgate do patrimônio ético do partido, com a recusa de práticas lesivas ao erário e à moralidade públicas, sem a prática do troca-troca fisiológico que tem caracterizado a política institucional do País.
A esquerda do partido também defende um partido independente do governo, considerado pelo vice-presidente nacional do PT e signatário da carta, Valter Pomar, como ''um governo de coalizão, de centro-esquerda''.
''O PT não pode ser transformado em correia de transmissão do governo, pois, se isso ocorrer, não haverá quem lute para alterar a correlação de forças que constrange o setor progressista do nosso próprio governo'', diz a Carta que defende um ''outro rumo, outro modelo econômico, totalmente distinto do recomendado pelo Fundo Monetário Internacional-FMI''.
Assinam a Carta 12 tendências de esquerda do partido, que buscam unidade no lançamento de uma candidatura única à direção nacional, que ocorre em setembro. Juntas estas tendências representam 31% do partido (estimativa de 2001), mas a Pomar (Articulação de Esquerda) garante que as bases estão insatisfeitas e que esse percentual deve ser ampliado na eleição.
O presidente nacional do partido, José Genoino, disse em entrevista coletiva, depois da divulgação da Carta Aberta, e ao lado de Valter Pomar, ser um candidato à reeleição à presidência do partido ''sem estresse''.
Ele confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silvas não participará da festa de hoje. Ele alegou falta de dinheiro do partido para bancar o deslocamento e a segurança do presidente.
Genoino admitiu que um dos grandes desafios do governo petista é fazer alianças sem perder a identidade e minimizou a disputa interna do partido, em que ele é o maior alvo de derrubada.


