O desconhecido candidato à Presidência da República pelo PSTU, o metalúrgico trotskista José Maria de Almeida, tem em sua plataforma a proposta de estatizar todos os bancos privados instalados no Brasil, inclusive os estrangeiros, ainda não tem dinheiro para produzir os programas de rádio e televisão e tem em seu currículo apenas uma disputa eleitoral, esta como candidato a deputado federal por São Paulo.
Na laterninha das pesquisas de intenção de voto, o trotskista chamou a atenção de apenas 1% dos eleitores consultados pelos entrevistadores do Ibope. O curioso, entretanto, é que este percentual representa, no universo de eleitores cadastrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 1,4 milhão de pessoas.
O metalúrgico, que tem em seu histórico a participação nas greves do ABC paulista de 1979 e 1980 ao lado do petista Luiz Inácio Lula da Silva, está em quinto lugar na pesquisa do Ibope, atrás do candidato do Prona Enéas Carneiro, que ficou com 5% das intenções de voto.
OtimismoO percentual, comparado ao resultado da votação do ex-governador Leonel Brizola, que, na eleição presidencial de 1994, teve 3,2% dos votos, é encarado com cautela e otimismo por Almeida. Considerando que Brizola na época já havia sido eleito três vezes para governador, o candidato pode realmente empolgar-se com o resultado.
‘‘Acreditamos que vamos subir nas pesquisas’’, declarou. Para ele, há muitos brasileiros que podem ser seus futuros eleitores, porque não suportam mais a ‘‘política neoliberal’’ do presidente Fernando Henrique e estão desiludidos com as propostas ‘‘moderadas’’ do candidato do PT à Presidência da República.
Ele acredita que pode seduzir mais eleitores defendendo mudanças radicais no País, entre elas a redução da jornada de trabalho sem diminuição do valor dos salários, estatização do sistema financeiro, que inclui a estatização dos bancos, suspensão das privatizações e desapropriação de terras visando a reforma agrária sem indenizar os latifundiários.
Fundador do PT ao lado de Lula, Almeida fez campanha para ele nas duas últimas eleições presidenciais. Em 94, já fora do PT, seu partido, o PSTU, fundado naquele mesmo ano, decidiu apoiar Lula pelo fato de ainda estar se estruturando. Neste ano, o PSTU deu um grito final de repúdio à linha política do PT por considerá-la moderada demais.
‘‘Somos contra o arco de alianças defendido pelo PT, que hoje está ao lado de Requião (senador Roberto Requião do PMDB do Paraná), acusado de ser responsável pela morte de Teixeirinha, um líder do Movimento dos Sem-Terra, quando era governador, e achamos que o PT busca acalmar os investidores ao não propor mais o calote da dívida externa’’, declarou.

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