O PST (Partido Social Trabalhista) que nas eleições municipais de 92 chegou no seu auge elegendo 62 prefeitos e 545 vereadores sob o comando do ex-governador e hoje presidente da Telepar (PSDB), pode se transformar no mais novo ‘braço político’ do governador Jaime Lerner (PFL) no Paraná. O chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), está empenhado em garantir que o comando da sigla - hoje nanica’ - fique nas mãos do ex-presidente estadual do PDT, José Francisco Pereira.
O partido serviria, assim como o PSB do governador Miguel Arraes, como um ‘abrigo’ para os pedetistas lerneristas que ainda não definiram seu futuro partidário. O PST é de centro-esquerda, justifica José Francisco Pereira, que já recebeu uma série de telefonemas do interior do Estado de pedetistas que se recusam a entrar no PSB por ser um partido mais alinhado à esquerda. ‘‘Não nos livramos de um (Leonel) Brizola para cairmos nas mãos de um (Miguel) Arraes’’, diz Pereira.
Segundo ele, o próprio governador Jaime Lerner está trabalhando pelo êxito nas negociações. ‘‘O Lerner quer que o PST seja uma alternativa. Existem muitos problemas locais entre o PTB e o PFL, partidos que já estão na aliança’’, pondera. O ex-presidente do PDT tem conversa marcada no início da semana com o chefe da Casa Civil para acertar os detalhes do processo. ‘‘Eu não vou me arriscar e entrar sozinho numa sigla que mais tarde possa trazer problemas para a eleição’’, observa.
Pereira refere-se às dificuldades que o ‘nanico’ teria em eleger candidatos numa chapa única com PFL-PTB-PSB, o intitulado ‘‘chapão’’ do governador. Além da pouca legenda, os filiados na sigla teriam de fazer quantidade de votos bem maior para garantir os mandatos. ‘‘Para nós o interessante seria lançar uma chapa proporcional própria, mas para isso necessitamos de bons nomes’’, diz o ex-dirigente pedetista.
Se depender do atual presidente do PST, Ajocir Vicari, as portas do partido estão ‘escancaradas’ para o grupo político de Lerner. O dirigente já convidou a vice-governadora Emília Belinati para assinar ficha de filiação e aguarda uma manifestação. Vicari aposta no bom relacionamento da vice com a sigla. A filha de Emília, Cíntia Belinati, é a vice-presidente do diretório do PST em Londrina e disputou uma vaga na Câmara Municipal pela sigla, em 96.
Vicari admite que as conversas do grupo de Lerner com o PST vêm de meses. ‘‘Ele (o governador) só não se filiou em nosso partido porque não tínhamos tempo no rádio e na tevê para oferecer. Mas agora a oportunidade chegou’’, aposta. (L.D.)

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