PST pode ser o refúgio para os aliados de Lerner
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sexta-feira, 12 de setembro de 1997
Curitiba 
O PST (Partido Social Trabalhista) que nas eleições municipais de 92 chegou no seu auge elegendo 62 prefeitos e 545 vereadores sob o comando do ex-governador e hoje presidente da Telepar (PSDB), pode se transformar no mais novo braço político do governador Jaime Lerner (PFL) no Paraná. O chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), está empenhado em garantir que o comando da sigla - hoje nanica - fique nas mãos do ex-presidente estadual do PDT, José Francisco Pereira.
O partido serviria, assim como o PSB do governador Miguel Arraes, como um abrigo para os pedetistas lerneristas que ainda não definiram seu futuro partidário. O PST é de centro-esquerda, justifica José Francisco Pereira, que já recebeu uma série de telefonemas do interior do Estado de pedetistas que se recusam a entrar no PSB por ser um partido mais alinhado à esquerda. Não nos livramos de um (Leonel) Brizola para cairmos nas mãos de um (Miguel) Arraes, diz Pereira.
Segundo ele, o próprio governador Jaime Lerner está trabalhando pelo êxito nas negociações. O Lerner quer que o PST seja uma alternativa. Existem muitos problemas locais entre o PTB e o PFL, partidos que já estão na aliança, pondera. O ex-presidente do PDT tem conversa marcada no início da semana com o chefe da Casa Civil para acertar os detalhes do processo. Eu não vou me arriscar e entrar sozinho numa sigla que mais tarde possa trazer problemas para a eleição, observa.
Pereira refere-se às dificuldades que o nanico teria em eleger candidatos numa chapa única com PFL-PTB-PSB, o intitulado chapão do governador. Além da pouca legenda, os filiados na sigla teriam de fazer quantidade de votos bem maior para garantir os mandatos. Para nós o interessante seria lançar uma chapa proporcional própria, mas para isso necessitamos de bons nomes, diz o ex-dirigente pedetista.
Se depender do atual presidente do PST, Ajocir Vicari, as portas do partido estão escancaradas para o grupo político de Lerner. O dirigente já convidou a vice-governadora Emília Belinati para assinar ficha de filiação e aguarda uma manifestação. Vicari aposta no bom relacionamento da vice com a sigla. A filha de Emília, Cíntia Belinati, é a vice-presidente do diretório do PST em Londrina e disputou uma vaga na Câmara Municipal pela sigla, em 96.
Vicari admite que as conversas do grupo de Lerner com o PST vêm de meses. Ele (o governador) só não se filiou em nosso partido porque não tínhamos tempo no rádio e na tevê para oferecer. Mas agora a oportunidade chegou, aposta. (L.D.)


