Brasília - O PSOL ingressou ontem com uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), por quebra de decoro parlamentar. Em reunião no Congresso sob o comando da presidente da legenda, a ex-senadora Heloísa Helena (AL), o partido sugeriu ainda que o peemedebista se afaste da presidência do Senado, até que as investigações sobre sua ligação com a Gautama e com o fato de ter supostamente recebido recursos de um lobista da Mendes Júnior (para pagamento de despesas pessoais) sejam concluídas.
Em documento de 11 páginas, o PSOL sustenta haver indícios para que seja instalada uma representação para apurar se ocorreu quebra de decoro parlamentar por parte do peemedebista. ''Todo parlamentar investigado é natural e salutar que saia da posição de comando'', defendeu Heloisa Helena depois de se reunir com a bancada do partido por quase duas horas.
A decisão de ingressar com representação contra Renan foi unânime entre todos os representantes do PSOL no Congresso: três deputados e o senador José Nery (PSOL-PA). A representação foi encaminhada ontem ao presidente temporário do Conselho de Ética, o corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), já que efetivamente o Conselho de Ética efetivamente só será instalado hoje.
PSOL quer que o órgão investigue Renan principalmente para apurar ''recebimento de vantagens indevidas durante o mandato parlamentar'', numa referência à denúncia de que ele teria recebido dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, ligado à construtora Mendes Júnior.
O líder do partido na Câmara, Chico Alencar (RJ), destacou que apesar da solicitação de investigação não há interesse em entrar na vida pessoal de Renan. ''De forma alguma trata-se de invadir a vida pessoal e afetiva do senador. Mas como autoridade pública é preciso que se dê explicações. Trata-se da relação de entes privados com uma autoridade e não da vida privada de uma autoridade pública'', observou.
Heloísa Helena foi irônica ao comentar que as acusações envolvendo Renan tenham cunho pessoal, como o próprio alegou em discurso de defesa de si próprio que fez ontem. ''Não tenho tempo de analisar as normas e rotina do clube dos homens e seus amores clandestinos, portanto isso não me interessa. No caso poderia interessar até a menininha. A menina que eu espero que o senador seja um bom pai, a jornalista seja uma boa mãe. A menininha é que realmente pode nos preocupar muito, que ela seja uma menina linda, feliz e tenha um bom pai e uma boa mãe. Fora disso, não é o que nos cabe discutir.'' Pelo regimento da Casa, a representação do PSOL no Conselho de Ética já basta para o órgão abrir um processo por quebra de decoro parlamentar que pode resultar, inclusive, na perda de mandato.

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