PSOL quer inclusão da denúncia da Schincariol no caso Renan
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segunda-feira, 09 de julho de 2007
Rosa Costa e Ana Paula Scinocca<br>Agência Estado 
Brasília - Apesar de dois dos três relatores do processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), alegarem que a inclusão de nova denúncia contra o parlamentar tem de ser objeto de uma nova representação, o PSOL vai apostar na pressão popular para anexar na investigação em curso os dados sobre a venda de uma fábrica da família de Renan à Schincariol. A fábrica da família Calheiros, segundo reportagem da revista ''Veja'', foi vendida à cervejaria por R$ 27 milhões, embora não valesse mais do que R$ 10 milhões. Segundo a revista, Renan teria atuado em favor da Schincariol junto ao INSS para impedir que a dívida de R$ 100 milhões da cervejaria fosse executada e na Receita Federal contra a multa por sonegação de impostos.
O senador José Nery (PSOL-PA) confirmou que entrega amanhã aos três relatores do conselho o pedido para incorporar a nova denúncia ao processo. Os relatores Almeida Lima (PMDB-SE) e Marisa Serrano (PSDB-MS) afirmam que o procedimento é incompatível com as normas de investigação e que caberia aos interessados entrar com uma nova representação. ''Aditivos não devem funcionar, é preciso uma nova representação, uma nova decisão da Mesa e um novo relator'', alegou Marisa. ''Qualquer coisa diferente fora disso fica contra o que foi aprovado pelos membros do conselho.''
Para Almeida Lima, a iniciativa do PSOL mostra a falta de comprometimento com as regras regimentais. ''Não podemos deixar que o interesse de um ou outro burle a legalidade da investigação.''
A presidente do PSOL, ex-senadora Heloisa Helena (AL), lembrou que a mesma objeção foi feita quando o partido pediu para que o Conselho de Ética apurasse a autenticidade dos documentos com os quais Renan queria comprovar o rendimento de R$ 1,9 milhão em quatro anos, com a venda de gado. ''O pedido foi rejeitado, mas a pressão da opinião pública acabou fazendo com que eles (senadores) recuassem e pedissem à Polícia Federal para periciar os papéis.''
Hoje, o senador José Nery entrega ao colegiado uma relação das dúvidas que espera ver respondidas no aprofundamento da perícia. A oportunidade dele e de Renan se manifestarem foi concedida pelo próprio conselho, na semana passada. Entre as ''lacunas'' que o PSOL quer esclarecer estão: se há correspondência entre as Guias de Transporte de Animais (GTAs) em poder de Renan e as notas fiscais sobre a venda de gado; se o total da vacina adquirida corresponde ao número de cabeças de gado de posse do senador e se as empresas de compradores desse gado estavam legalizadas ou eram de fachada.
Ontem, o presidente do Senado não deu expediente.


