PSOL protocola mais uma representação contra Renan
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quarta-feira, 01 de agosto de 2007
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - O PSOL protocolou ontem nova representação na Mesa Diretora do Senado contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). No texto, o partido pede que o Conselho de Ética do Senado investigue se o parlamentar beneficiou a empresa Schincariol junto ao INSS, além das acusações de que Renan teria grilado terras junto com seu irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL).
O partido também encaminhou representação contra o irmão de Renan à Mesa Diretora da Câmara. Inicialmente, o PSOL defendeu que o Conselho de Ética anexasse as novas denúncias ao processo que o presidente do Senado já responde por suspeitas de receber dinheiro da empreiteira Mendes Júnior. O conselho negou o pedido, o que motivou o PSOL a apresentar a nova representação.
''Eu me sinto na obrigação de continuar lutando como lutariam todas as mulheres e homens que ensinam os seus filhos a não roubar. Não podemos adivinhar o que acontecerá no Congresso. Se quiser se desmoralizar mais do que já está, aí é não fazer absolutamente nada'', disse a presidente do PSOL, Heloísa Helena.
O irmão de Renan é acusado de ter vendido uma fábrica de cerveja à Schincariol no município de Murici (AL), com preço acima da média do mercado. Renan, em contrapartida, teria atuado para reverter dívida de R$ 100 milhões da empresa no INSS e em débitos com a Receita Federal.
O argumento dos relatores do caso no Conselho de Ética - Renato Casagrande (PSB-ES), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Almeida Lima (PMDB-SE) - é que a representação inicial do PSOL, que questiona a ligação de Renan com a empreiteira Mendes Júnior, não faz menção às denúncias que ligam o senador à Schincariol.
Além das acusações envolvendo a Schincariol, os irmãos Calheiros são apontados como responsáveis de grilagem de terras em Alagoas e de estarem por trás de ameaças a Antonio Gomes de Vasconcelos, que denunciou os dois irmãos ao Ministério Público Federal. O técnico agrícola Genival Mendes de Melo também acusou Olavo de ter se apropriado ilegalmente de terras que lhe pertenceriam. Como Renan e Olavo têm direito a foro privilegiado, os dois casos foram remetidos no mês passado ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Ele já começou a analisar os documentos, para decidir se abre uma investigação.


