Psicose em ação
A dupla homicida que atacou a escola em Suzano teria em seus planos se louvado em atos semelhantes no exterior, o que consta até do material apreendido. Ocorre que o palco que serviu de modelo não se compara, em termos de violência, ao que se dá por aqui com mais de 50 milhões de assassinatos por ano. Ocorrências violentas, mas pontuais, em que há predomínio do psicótico, não têm como no Brasil o contraponto da rotina que impregna a cultura dessa patologia como componente cultural.

O pior é que a maior parte dessa mortandade não julga os autores e mal compensa as vítimas. Essa a expressão maior da impunidade no País que torna ridícula qualquer analogia com países civilizados. Quando dos primeiros feitos da Lava Jato em relação à corrupção dos políticos e empresas públicas tudo foi saudado mundialmente como resposta institucional ao nosso maior e permanente problema, o da impunidade que vai muito além do cenário abarcado pelas malhas judiciais.

E agora em lugar de nos determos na análise filosófica e antropológica do tema ficamos a enfocá-lo na perspectiva de questões mediatas como a do desarmamento como se houvesse previsão possível para a insanidade deflagrada ou, como sugeriu uma liderança do governo, que os professores estivessem armados para responder ao ataque com o que faríamos de cada unidade escolar uma trincheira, generalizando a tormenta, algo como o clima da Primeira Guerra Mundial e do romance de Remarque ou o filme "Sem novidades no front com Marlene Dietrich" cantando melancolicamente "Lili Marlene".
Todos os poderes de Estado têm parcela de responsabilidade seja nas leis indevidas ou incompletas ou na falta delas que provoca a politização judicial e monta os cenários do nosso dia a dia que até hoje não mexeu na faixa etária de responsabilização criminal e nem decidiu se prevalece ou não a prisão de acusados, pós decisão de segunda instância.

O impacto

Jornais com acentuada má vontade com Bolsonaro, ainda que parte delas justificável, acentuam que o presidente da República só se manifestou sobre a ocorrência de Suzano seis horas depois com a expressão monstruosidade. Não levaram em conta que a perplexidade leva a formas de reflexão e o presidente precisa fazê-las justamente em cima de suas ideias e valores até aqui mobilizados para a questão e que, inclusive, o elegeram.

O impacto da tragédia põe em xeque todo o arsenal de terapias, de diagnóstico e sobretudo de previsão. O longo silêncio pode ter múltiplos significados entre eles o da não resposta, o mutismo e até o de revisão conceitual. O que não se pode afirmar é que o fato em si não esteja pleno de sensibilidade.

A queda

A presença do ministro Sérgio Moro nos debates sobre a precariedade ou não da Justiça Eleitoral para responder pelos julgamentos da Lava Jato parece não ter sido suficiente para mudar o entendimento da maioria do STF. Na fase mais auspiciosa e menos crítica da operação a barragem teria mais dificuldades do que agora, ainda mais depois do caso da fundação que tudo extrapolou. Essa perda de densidade e charme precisa ser respondida urgentemente com mais atos afirmativos como sempre, de certa forma, ocorreu.

Na espera

Enquanto a hipótese de Roberto Requião ficar com a vaga de senador de Flávio Arns está cada vez mais distante por anomalias que teria praticado como secretário de Educação de Beto Richa e censurado pelo Tribunal de Contas, o que configuraria sua impugnação, a disputa em torno da possível vaga do deputado federal Emerson Petriv, o Boca Aberta, anima o ex-chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB), primeiro suplente da coligação e que moveu a ação. A despeito do peso do material suscitado, entre eles uma cassação de mandato na Câmara Municipal de Londrina e a derrubada de liminar do Tribunal de Justiça que o beneficiava na véspera do pleito, o advogado Guilherme Gonçalves, dos maiores especialistas da área, dá mínima importância à argumentação levantada. Se ficarem na espera como o Godot da peça teatral prevalecerá a votação do polêmico parlamentar.

Folclore

O contista João Antonio, falecido em 1966 no Rio, e que esteve em Londrina na montagem do jornal "Panorama", tem um texto publicado na última edição da "Ideias" que vai mexer com a nostalgia da segunda maior cidade do Paraná. Trata-se do "Ai, Londrina" do livro "Encontro das Águas", 1994, da Travessa dos Editores, em que a destaca na condição de capital boêmia do Brasil nos anos loucos do café entre 1949 a 1953. Tem gente que não gosta dessa fase, mas ainda em 1960 havia resíduos daquela alegre vida noturna .

Wilson Silva, que escreveu "Por trás do Toco" durante muito tempo, como o Marquês de Araçoiaba neste jornal, produziu reportagem na revista Manchete, relativa à febre cafeeira, fez abordagem sobre o mito da riqueza, no texto "Londrina, um milionário em cada esquina". Está aí para ninguém botar defeito um porre de nostalgia.

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