PSDB vai apoiar Requião
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quinta-feira, 29 de junho de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Numa disputa acirrada por causa do racha dentro do partido, o PSDB aprovou ontem em convenção estadual a coligação com o PMDB do governador Roberto Requião para as eleições deste ano. Com 205 votos contra 200, ganhou a tese defendida pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão, que agora será candidato a vice-governador na chapa de Requião. A outra opção era deixar o partido livre para apoiar qualquer candidato.
Antes de iniciar a votação na convenção, Hermas voltou a defender em seu discurso que a coligação seria a opção que mais beneficiaria o candidato tucano à presidência, Geraldo Alckmin, no Paraná. O presidente estadual do partido, Valdir Rossoni, chamou por diversas vezes Requião de ''traidor'' e classificou a coligação com o PMDB como um ''estupro político''.
''O resultado foi democrático. Nosso partido está acima de interesses pessoais e por isso agora tem que se unir'', afirmou Brandão, que desde o início da votação estava confiante. ''O Alckmin vai ter palanque forte, com o apoio de mais de 300 prefeitos, quase 1,5 mil vereadores e com o apoio da bancada de deputados estaduais e federais do PMDB'', justificou Brandão. O presidente da Assembléia garantiu que Requião prometeu apoio à reeleição do prefeito Beto Richa (PSDB) para a prefeitura de Curitiba em 2008 e para o governo do Estado em 2010.
A ala contrária ao apoio ao PMDB colocou em dúvida as promessas feitas por Requião. Em seu discurso, Rossoni acusou Requião de ter traído o senador Álvaro Dias (PSDB) em 1990, quando o sucedeu no governo do Estado, e também o candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB), quando disputou a presidência em 2002. ''Quem levou o Beto à prefeitura foram os curitibanos e o PSDB. Não o Requião'', afirmou. ''Isso é um estupro político e não um namoro, uma coligação. Daqui dois anos tem eleições municipais e o Requião vai estar pisando no pescoço de vocês'', completou.
A coligação referendada ontem pela convenção tucana vai valer para a chapa majoritária e para os candidatos a deputado estadual. Os candidatos a deputado federal pelo PSDB não concordaram e vão disputar sozinhos. ''O Requião é o cavalo de tróia do PSDB'', afirmou o deputado federal Gustavo Fruet, referindo-se ao famoso ''presente de grego''. ''Qual é a posição do PSDB sobre o nepotismo, sobre o porto de Paranaguá, sobre o pedágio?'', ironizou Fruet, que em 2004 deixou o PMDB porque Requião preferiu coligar com o PT em vez de lançá-lo candidato à prefeitura de Curitiba. Para o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) esta coligação ''é a sentença de morte dos tucanos''.
O prefeito Beto Richa chegou à convenção no final da tarde apenas para votar. Ele preferiu não contar qual foi sua opção na urna e disse que vai respeitar a decisão do partido. Richa afirmou que ainda vai avaliar se vai subir no palanque de Requião, mas lembrou que os membros do PSDB que quiserem podem apoiar o candidato Osmar Dias (PDT), assim como fez Requião em 2002 quando estava coligado com o então candidato à presidência José Serra mas apoiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. O prefeito deve começar a coordenação da campanha de Alckmin no Paraná na segunda-feira.


