O diretório estadual do PSDB vai à Justiça para tentar impedir a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel), que o governo pretende concretizar entre outubro e novembro deste ano. O partido contratou ontem o advogado Romeu Bacelar Filho, de Curitiba. O senador Alvaro Dias, presidente do PSDB no Paraná, disse que não abandona a discussão política em torno do assunto e promete lutar no Senado para que a empresa permaneça nas mãos do Estado.
A briga contra a privatização encampada pelos tucanos não é nova. Alvaro Dias é autor, junto com os senadores Osmar Dias (PSDB), seu irmão, e Roberto Requião (PMDB), de uma ação popular contra a venda do Banestado (concretizada no dia 17 de outubro do ano passado). A ação não impediu o leilão porque o mérito não foi julgado.
Alvaro diz que não é contra privatizações, mas entende que não devem abranger as estatais ‘‘estratégicas e lucrativas, como a Copel’’. Ele argumenta que o governo poderia arrecadar dinheiro sem vender a empresa. ‘‘Com o prestígio internacional que a Copel já tem, poderia muito bem liderar uma holding, com outras participações acionárias do Estado, como é o caso da Sanepar, para captar recursos no exterior’’. Alvaro lembrou que a Califórnia, nos Estados Unidos, está racionando energia elétrica depois que privatizou suas empresas geradoras. Os oposicionistas também querem mudanças na Constituição Estadual, prevendo a realização de um plebiscito sobre a venda da Copel. O líder dos partidos de oposição na Assembléia Legislativa, Waldir Pugliesi (PMDB), disse ontem que deve apresentar uma emenda com esse objetivo. ‘‘A maioria esmagadora dos paranaenses vai ser contra’’, acredita. O deputado José Maria Ferreira (PSDB) já tem projeto pedindo a realização do plebiscito. ‘‘Concordamos que é uma medida complementar ao projeto dele’’, avaliou Pugliesi.
O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, disse que, constitucionalmente, os deputados podem até tentar aprovar a emenda, mas estão apenas atrás de dividendos políticos. ‘‘Isso é jogo. Eles querem só aparecer usando o tema Copel como pano de fundo. Se querem impedir a venda, que revoguem de uma vez a lei que eles mesmos aprovaram’’, provocou o secretário.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), já anunciou que vai fazer o possível para impedir a revogação da lei 12.355/98, que autoriza o Estado a vender a empresa. Dois projetos foram protocolados com esse objetivo – um do bloco de oposição e outro do governista Tony Garcia, líder do PPB. Amaral terá trabalho, porque pelo menos 10 dos 40 aliados estão votando sistematicamente contra o governo.

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