PSDB tenta evitar saída de Ciro Gomes
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sábado, 13 de setembro de 1997
Luís Costa Pinto Agência Folha Brasília 
Arquivo FolhaRibaltaMiguel Arraes: convite a Ciro Gomes ilumina partido minúsculoA intensa movimentação ocorrida nos bastidores políticos desde a última segunda tem um prazo para acabar: 0h do dia 3 de outubro, quando todo o político que deseja concorrer a algum cargo na eleição do próximo ano precisará estar filiado a um partido.
O teatro da sucessão é mambembe. Os atos que determinarão os personagens principais da disputa pela Presidência ocorrem em cenários diferentes. A partir de Recife, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, presidente do PSB, tenta dar densidade ao seu partido.
Nesta última semana, Arraes conseguiu iluminar o minúsculo PSB (152 prefeitos, 10 deputados federais, 2 senadores e 2 governadores) com todas as luzes da ribalta ao intensificar e dar publicidade às negociações que visam filiar ao seu partido o ex-ministro da Fazenda e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) e fazê-lo candidato a presidente da República.
Em Fortaleza e Brasília, os produtores do espetáculo, sentados em cadeiras cativas dentro do PSDB e do PFL, partidos que abrem o pano da corrida sucessória porque os candidatos à reeleição de Fernando Henrique Cardoso (presidente) e Marco Maciel (vice) são filiados a eles, torcem tensos e mexem-se rápido para evitar que Ciro abandone o ninho tucano. Temem que ele transforme seus monólogos oposicionistas ensaiados dentro do PSDB em comícios contra o governo.
No Canadá, para onde embarca na próxima terça-feira e só volta no dia 20 de setembro, o senador José Sarney (PMDB-AP), ex-presidente, decidirá se vai mesmo disputar a Presidência contra FHC. Em Brasília, Sarney disse que é candidato a presidente. Previdente, mandou um grupo de militantes ir às ruas no Amapá lembrar aos eleitores do Estado que em 1998 termina seu mandato de senador.
Instalado em Washington (EUA), onde ainda responde pela Embaixada do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos, o ex-presidente Itamar Franco (sem partido) dispara telefonemas para Juiz de Fora, Belo Horizonte, Rio e Brasília. Quer saber muitas coisas: o que os amigos acham de sua candidatura a presidente? Não seria melhor disputar o governo de Minas? E uma vaga no Senado, não viria mais fácil? Vai para o PMDB, para o PSB, para o PSDB ou para o PL? Ou se aposenta de vez?
De passagem pelo Rio, por Brasília ou Porto Alegre, mas sempre agindo a partir de São Paulo, Lula tenta pôr de pé pela terceira vez o seu palanque de candidato a presidente pelo PT. Um velho adversário, Leonel Brizola, presidente nacional do PDT, já disse que desta vez pode ser apenas ator coadjuvante e aceita ser o vice do petista.
A cena está aberta. São muitos os enredos: no domingo passado, Ciro Gomes foi ao Recife e passou duas horas e meia com o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, debatendo prós e contras de entrar no PSB e ser candidato a presidente da República. Você entra no PSB e muda o tipo de discussão. Vamos fazer um projeto para o país, propôs Arraes.
Cauteloso, Ciro pediu tempo para ouvir Tasso Jereissati, responsável por sua ascensão política, Itamar Franco, que o fez ministro da Fazenda, e outros conselheiros políticos que preza. Dou uma resposta depois, prometeu. Marcaram o encontro da resposta para a quinta-feira seguinte, mas adiaram a definição para esta semana.


