PSDB tenta convocar ministro da Justiça
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Gabriela Guerreiro<br> Folhapress 
Brasília - O PSDB vai agir em três frentes para tentar convocar o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) a explicar, no Congresso, seus encontros com advogados de empreiteiras sob investigação na Operação Lava Jato. Os tucanos vão pedir a convocação do ministro na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, na CPI da Petrobras criada na Câmara, além da futura CPI mista da Petrobras (com deputados e senadores) - que ainda não foi criada. A ideia é que Cardozo seja obrigado a comparecer às comissões para falar sobre o encontro, como previsto nas convocações de ministros. Se os congressistas aliados do governo conseguirem transformar as convocações em convites, Cardozo fica dispensado de prestar depoimento no Legislativo. A Câmara já criou CPI para investigar a Petrobras, mas a oposição ainda precisa reunir assinaturas no Senado para tirar a comissão mista de inquérito do papel. Até agora, o PSDB conseguiu 23 das 27 assinaturas necessárias para a CPI sair do papel. Os tucanos esperam a adesão do PSB, que tem seis senadores, mas flerta com o Planalto seu retorno à base de apoio da presidente Dilma Rousseff.
Líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB) subiu à tribuna do Senado ontem para cobrar explicações do ministro. O tucano disse que não questiona o seu encontro com advogados da Lava Jato, mas sim o fato de Cardozo ter omitido o encontro de sua agenda oficial de trabalho. "Por que esconder o encontro, o que ali foi tratado, o que ali foi discutido? Não se pode requerer o manto protetor do sigilo. Na República, não pode haver segredos", afirmou. Cunha Lima considerou "absurda" a versão divulgada pelo Ministério da Justiça de que o encontro não apareceu na agenda de Cardozo por uma falha no sistema eletrônico da pasta.
Em defesa de Cardozo, a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) disse ser legítimo que autoridades do governo recebam advogados. A senadora disse que a falha no sistema do ministério justifica a não divulgação do encontro e que não é da "prática" de Cardozo omitir seus compromissos.
O PPS protocolou ontem representação na Comissão de Ética da Presidência da República pedindo investigação do encontro do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com o advogado da UTC Engenharia, Sérgio Renault, e o também advogado e ex-deputado Sigmaringa Seixas. O pedido foi protocolado pelo líder do partido na Câmara, Rubens Bueno (PR). A comissão tem reunião marcada para o dia 25.
Bueno argumenta que as reuniões de Cardozo não seguiram os "preceitos éticos" da administração pública, uma vez que a Polícia Federal - responsável pelas investigações da Operação Lava Jato - está ligada ao Ministério da Justiça O deputado questiona as reuniões fora da agenda oficial do ministro.
Bueno classificou como "desmoralizador" para o País as reuniões do ministro com os representantes das empreiteiras investigadas na Lava Jato. Ele defende que o ministro peça demissão. (Com Agência Estado)


