PSDB também pode 'fechar' com Chinaglia
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
Christiane Samarco e Eugênia Lopes<br> Agência Estado 
Brasília - O PSDB deve ser o próximo partido a fechar com o petista Arlindo Chinaglia (SP) na sucessão da Câmara. A escolha oficial de Chinaglia pelo PMDB, na terça-feira, repercutiu no PSDB e provocou um movimento para apressar a definição dos tucanos. O drama é que a decisão ameaça abrir um racha no partido, confrontando o interesse político da bancada recém-eleita com o pragmatismo dos governadores tucanos, mais preocupados com o sucesso de suas administrações.
''Existe uma regra constitucional a qual prevê que na composição da mesa da Câmara deve se observar a proporcionalidade dos partidos. Essa é a regra do jogo. Quem tem direito à presidência da Câmara é o PMDB, que é o maior partido. O segundo maior partido é o PT. Mas se o PMDB quer ceder a vaga para o PT, então o PT indica o presidente da Câmara'', afirmou ontem o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
Ao mesmo tempo em que deputados tucanos novatos trabalham para reeleger o atual presidente, Aldo Rebelo (PC do B-SP), convencidos de que o comunista pode representar melhor os partidos de oposição, os governadores do PSDB articulam em direção oposta. Eles operam em favor do líder do governo e candidato petista, em um jogo casado com as bancadas estaduais do PT , em busca de paz. Isso porque os governadores tucanos também enfrentarão em seus estados eleições nas assembléias legislativas.
Um dirigente do PSDB conta que a senha dos governadores à bancada foi dada em recente conversa do candidato a líder tucano na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). O mineiro recomendou ao partido cautela máxima no que se refere às tradições do parlamento. Aécio pediu que o partido observasse regras como a da proporcionalidade das bancadas, que confere ao maior partido o direito de apontar o candidato a presidente da Casa. E o candidato apontado pelo PMDB é o petista Chinaglia.
Tucanos novatos influentes nos Estados, como o ex-governador de Sergipe Albano Franco, no entanto, desembarcaram em Brasília esta semana temerosos de ficarem a reboque do PFL no processo político da sucessão.
''Já estamos atrasados. Se demorarmos demais, a decisão do partido não terá valor'', alertou Albano Franco. ''O episódio do PMDB deixou claro que Aldo hoje é o candidato da instituição e o Arlindo, o nome do governo nesta disputa'', defendeu Araújo. O grupo que pede pressa acredita que o PSDB paulista não terá porque votar em Arlindo e ''reforçar'' o PT justamente no estado em que os tucanos são mais fortes.
O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) argumenta, no entanto, que, se o governo apresentasse apenas um candidato, o PSDB se renderia ao princípio da proporcionalidade. A seu ver, a regra fica prejudicada quando a base governista mantém dois nomes na disputa.


