Brasília - De nada adiantou o empenho do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para incluir deputados dos partidos de oposição entre os relatores das medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o carro-chefe do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de duas semanas de articulações, o PSDB não aceitou nenhum dos três cargos oferecidos por Chinaglia, mostrando a rejeição da legenda ao PAC. A participação da oposição ficará restrita ao relator do PFL na medida provisória (MP) que autoriza a Caixa Econômica Federal (CEF) a conceder crédito de R$ 5,2 bilhões para obras de saneamento básico e habitação popular.
No entanto, Lula premiou alguns amigos que colaboraram com ele na campanha pela presidência da Casa. ''Nós somos partidos de oposição. Poderíamos relatar algum tema de Estado, mas não questões de governo, que devem ser compartilhadas com a base. Nosso papel não é fugir as responsabilidades, mas lembrar que somos oposição e que trabalharemos de acordo com o nosso entendimento'', afirmou o líder do PSDB na Câmara, Antônio Carlos Pannunzio (SP).
Foram oferecidas ao PSDB as relatorias da MP do programa de arrendamento residencial, da proposta que limita os gastos do governo com despesa de pessoal, e a presidência da Comissão Especial da Comercialização do Gás.
''O líder do PSDB não apresentou nenhum óbice político, mas entendeu que seria melhor não ocupar as relatorias. Faltou tempo para avançar em outro entendimento'', disse Chinaglia.
Chinaglia anunciou ontem os relatores das MPs, os presidentes e os relatores das comissões especiais que serão constituídas para analisar os projetos de lei do PAC. O deputado do PT premiou alguns amigos que estiveram com ele na campanha pela presidência da Casa. Jilmar Tatto (PT-SP), ligado à ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) relatará a MP que reajusta a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
A MP que cria o regime de incentivos para infra-estrutura, a mais cobiçada, por tratar de questões tributárias, ficou com o petista Odair Cunha (MG). Wilson Santiago (PMDB-PB), vai relatar a MP que permite o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em infra-estrutura.

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