Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES e ex-ministro das Comunicações, envolvido em denúncia de grampo no caso da privatização da Telebrás, voltou ao poder. No posto de vice-presidente do PSDB para temas econômicos, o ex-ministro e formulador da estratégia para o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso terá voz em reuniões semanais do partido.
A decisão dos tucanos foi definida na convenção nacional do partido, realizada sexta-feira e ontem em Brasília. Além de Mendonça de Barros, integrarão o colegiado de vice-presidentes do partido: os senadores Paulo Hartung (ES) e José Roberto Arruda (DF) e os deputados Alberto Goldman (SP) e Custódio Mattos (MG). O senador Teotônio Vilela Filho (AL) foi reconduzido à presidência do partido e o deputado Márcio Fortes (RJ) escolhido secretário-geral.
A reabilitação de Mendonça de Barros foi promovida pelo governador de São Paulo, Mário Covas, estrela tucana em ascensão, já antecipadamente definido como o ‘‘melhor nome’’ para concorrer à sucessão de FHC. Segundo Covas, a escolha de Mendonça ocorreu para ‘limpar a imagem do ex-ministro e também por motivo político’’. O convite foi formalizado há dez dias. Para acomodar o ex-ministro no comando do PSDB, criou-se um cargo especialmente para ele: o de vice-presidente para política econômica. O número de vice-presidências do partido saltou de três para cinco.
‘‘Não importa o cargo, mas a presença dele na executiva do partido’’, disse ontem o secretário de Ciência e Tecnologia de São Paulo, José Aníbal, interlocutor de Covas na negociação para tirar o ex-ministro de uma espécie de ‘‘exílio’’ em que vivia em São Paulo desde que se demitiu do governo, no final do ano passado. Em desabafo feito na abertura da convenção nacional, na sexta- feira, Mendonça de Barros disse que havia se auto-exilado depois de sua saída do ministério. Andava ‘‘jururu’’.
Mas o resgate de Mendonça não representou uma unanimidade no partido. Ainda ontem, ouviram-se críticas: ‘‘Foi uma forçada de barra desnecessária e o tempo vai se encarregar de mostrar isso: foi uma afronta’’, reclamou o senador Carlos Wilson (PE), interlocutor frequente do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

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