Agência Estado
De São Paulo
A bancada do PSDB na Câmara de Vereadores de São Paulo pretende radicalizar sua posição contra o prefeito Celso Pitta (PTN), em reação às denúncias publicadas pela revista ‘‘Istoɒ’. No Palácio Anchieta, sede do legislativo municipal, cresce a suspeita de participação do próprio Executivo na reportagem, para pressionar vereadores e desviar as atenções do Palácio das Indústrias.
Ontem os vereadores da bancada tucana reuniram-se com o presidente do diretório municipal do partido, João Câmara. ‘‘Não vamos deixar isso assim’’, disse Câmara, após a reunião. Ficou definido que o representante dos tucanos na comissão especial que analisa o pedido de impeachment do prefeito Celso Pitta (PTN), vereador Gilson Barreto, dará voto favorável à abertura do processo de impeachment. Além disso, nessa semana o partido deve fazer manifestações na Câmara de repúdio ao Executivo.
A reação do PSDB é uma resposta à suspeita de que a própria Prefeitura tenha influenciado na reportagem da revista para intimidar os vereadores dispostos a dar continuidade ao processo de impeachment de Pitta. Na reportagem, o vereador Roberto Trípoli (PSDB) seria o intermediário de pagamento de propina entre a Prefeitura e os colegas tucanos Dalton Silvano, Éder Jofre, Aurélio Nomura e Gilson Barreto.
‘‘Não sei como eles nos comprariam, se sempre votamos contra o prefeito’’, defendeu-se Trípoli. Segundo ele, há cerca de um mês havia boatos na Câmara que haveria uma reportagem contra os vereadores de oposição.‘‘Os rumores eram de que apresentariam denúncias contra o Dalton e o José Eduardo’’, disse Trípoli, referindo-se ao líder do PT, José Eduardo Martins Cardozo. ‘‘Pessoas ligadas ao prefeito podem estar tentando desviar a atenção da população’’, disse o líder do PSDB na Câmara, Aurélio Nomura. ‘‘E, por isso, o Palácio das Indústrias está tentando novamente desmoralizar a Câmara.’’
‘Se for uma tentativa de pressão não vai adiantar nada’’, reagiu Milton Leite (PMDB). Ele foi citado como um dos ‘‘campeões’’ da mesada mensal que seria fornecida do Palácio das Indústrias para vereadores. Leite teria ficado com R$ 650 mil. ‘‘Que projeto de interesse da Prefeitura eu votei?’’ pergunta o peemedebista. Ele lembrou que, desde o ano passado, a produção da Câmara tem sido praticamente nula.

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