Os tucanos estão dispostos a ter maior influência na direção da União Nacional de Estudantes (UNE), tradicionalmente integrada por dirigentes ligados a partidos de esquerda. Passados menos de 60 dias da eleição da nova diretoria, já surgem divergências entre as idéias sociais-democratas do único representante do PSDB na entidade, Fernando Guimarães, e as diretrizes, até aqui, de combate à política educacional do governo Fernando Henrique Cardoso, definidas no Congresso da UNE, em julho.
Defensor do ‘‘provão’’, Fernando adianta que, na primeira reunião da direção nacional, este mês, pedirá a reavaliação da posição da UNE em relação ao exame do Ministério da Educação. ‘‘O argumento de que o ‘provão’ tinha o intuito de privatizar o ensino já foi descaracterizado, ele está é elevando a qualidade’’, acredita Guimarães, diretor nacional da Juventude do PSDB.
Aos 22 anos, estudante do 6º semestre de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP), Guimarães salienta que não houve dificuldade para sua integração na chapa vencedora, e nega problemas de relacionamento por causa da linha partidária diversificada. Mas o bom entendimento esbarra, segundo ele, ‘‘no campo das idéias’’.
O presidente da UNE, Ricardo Cappelli, estudante de informática da Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, concorda com Guimarães no que diz respeito à boa convivência entre partidários de várias correntes políticas. E é só. Em relação às opiniões do diretor, Cappelli lamenta a forma pela qual o colega decidiu divulgar suas opiniões. ‘‘É saudável ele revelar o que pensa, mas é muito ruim que isso se dê pela imprensa, considerando que Fernando nem sequer se pronunciou no fórum adequado, o congresso da UNE’’, reagiu. ‘‘Fica parecendo que ele, depois de ter ficado calado, quer agora dar satisfação ao PSDB.’’
Cappelli diz que a decisão de ser contra o ‘‘provão’’ não é das representanções partidárias e nem da direção. ‘‘A atuação da UNE é definida no congresso, pelos seus mais de quatro mil delegados’’, argumentou. Ele sustenta que o estudante é contrário ao ‘‘provão’’ e que a participação, expressiva, só acontece porque o exame é condição para o recebimento do diploma. Segundo Capelli, a UNE pode até rediscutir o ‘‘provão’’, mas a mudança de linha dependeria do congresso.
Fernando Guimarães também defende que a UNE reveja seu papel. ‘‘A entidade está perdendo espaço, e o jovem começa a ver a UNE como uma fábrica de carteirinha estudantil’’, ataca o peessedebista, que, na infância, gostava de ‘‘brincar’’ de assessor do prefeito da cidade montada em play mobil. Capelli rejeita a crítica. ‘‘A UNE é a voz do estudante, que se preocupa com a autonomia universitária, com a preservação do ensino público de qualidade’’, diz. ‘‘O que Fernando quer é aparecer’’, devolve.
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