O PSDB vai cobrar de seus aliados no governo a fatura pelas concessões feitas na formação das alianças para as eleições aos governos estaduais. A cobrança tem a finalidade de impor o peso do partido nas disputas pela composição do novo ministério que o presidente Fernando Henrique Cardoso definirá até dezembro.
O recado dos tucanos vai mais longe: eles querem, com isso, o reconhecimento do próprio presidente da República sobre o desempenho do partido nas urnas e seu papel na aprovação do ajuste fiscal e das reformas. ‘‘Nós sabemos que o presidente vai montar um ministério respeitando o resultado das urnas’’, observou o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG). ‘‘Atribuímos essa vitória à firmeza com que o PSDB defendeu as reformas; nenhum partido foi tão claro quanto o PSDB’’, acrescentou.
‘‘O PSDB abriu mão das eleições em vários Estados para atender aos pleitos dos aliados que tinham melhores chances’’, ressaltou o presidente nacional do partido, senador Teotônio Vilela Filho (AL). Como exemplos, o senador citou os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Tocantins, Rondônia e Alagoas, onde sua própria candidatura ao governo foi sacrificada para acomodar os aliados. ‘‘Isto foi fundamental para que os aliados tivessem vitória’’, completou. Dos 27 Estados, os aliados fizeram 21 governadores.
Ao lado do líder tucano na Câmara e do líder no Senado, Sérgio Machado (CE), enquanto faziam juntos uma análise do resultado das eleições sobre o PSDB, o senador Teotônio afirmou que o presidente da República tem carta branca dos tucanos para a formação de seu ministério, ressalvando em seguida que esta é uma atribuição exclusiva de Fernando Henrique Cardoso.
Os líderes do PSDB sabem que o ajuste fiscal, acima de tudo, vai exigir deles jogo de cintura na reivindicação de espaços dentro do governo. ‘‘Respeitamos os resultados, sabemos que não temos, sozinhos, maioria para votar as reformas e sabemos da importância dessa aliança, mas no momento adequado o PSDB vai discutir a ocupação desses espaços’’, admitiu Aécio Neves.
Como respaldo de sua posição, o PSDB apresenta o argumento de que, além de ter feito o maior número de governadores (sete), é o partido que mais votos obteve no País nas eleições estaduais. Ajudado pela eleição de Mário Covas (PSDB) pelo maior colégio eleitoral do País, o partido lucrou 29.367.612 votos dados a governadores, seguido do PMDB, que obteve 25.960.718 votos. Esses números referem-se aos dois turnos de votação.
No Legislativo, o PSDB cresceu 60% no Senado e 57% na Câmara dos Deputados e Assembléias Legislativas, em média. É a maior bancada na Câmara em 12 Estados. ‘‘Tivemos esse resultado com o discurso de um permanente esforço de unidade em torno da aprovação das reformas’’, ressaltou Teotônio Vilela, numa resposta às críticas, feitas pelos aliados, de que o PSDB dava um ‘‘apoio cego’’ às reformas.
Derrotados O presidente do PFL, alinhado ao PSDB, Jorge Bornhausen, senador eleito por Santa Catarina, analisou ontem a derrota de partidos nas disputas estaduais. Disse que foi ‘‘a última vez’’ que o PT venceu as eleições no Rio Grande do Sul e chamou de ‘‘infelicidade completa’’ a vitória de Anthony Garotinho (PDT) no Rio.

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