Arquivo FolhaVirgilio Neto: ‘solução colegiada’‘‘O tucano está de asas quebradas’’, disse o deputado Roberto Brant (PSDB-MG), resumindo o sentimento do partido diante da morte do ministro das Comunicações, Sérgio Motta. Preocupados com a falta que o ministro fará, dirigentes do PSDB já pensaram em alguns nomes, como o do governador cearense Tasso Jereissati, para substituí-lo no comando político do partido e da campanha presidencial. Mas, após um primeiro debate, concluíram que apenas um colegiado será capaz de suprir os vários papéis do ministro, enterrado ontem em São Paulo.
‘‘Um perfil tão completo como o do Serjão só admite uma solução colegiada’’, observa o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM). Afinal, pondera o parlamentar, não é fácil encontrar alguém que tenha força e prestígio dentro do partido, que seja íntimo do presidente Fernando Henrique Cardoso e que tenha o respeito de aliados e adversários. Isto sem falar na facilidade que o ministro tinha de estimular a participação dos militantes, fundamental em ano de eleições gerais.
A cúpula do PSDB reconhece que Serjão empolgava a militância. Tanto era assim que, ao se desligar da executiva nacional do partido em 23 de setembro passado, num protesto contra a filiação do ex-governador baiano, Nilo Coelho, a Juventude do PSDB apressou-se em pedir, por escrito, a sua volta. ‘‘Ficamos órfãos sem ele’’, disse o presidente do PSDB Jovem, Sandro Resende, ao argumentar que Motta era uma figura necessária para defender os tucanos em tempos de alianças e eleições.
‘‘O Serjão era um homem apaixonado, que brigava pelo PSDB, e isso contagiava e empolgava a militância’’, diz o presidente nacional do partido, senador Teotônio vilela (AL). ‘‘Não faremos política no PSDB como antes; vamos continuar ao nosso modo, mas com uma grande lacuna’’, lamenta o vice-presidente do partido, deputado Arnaldo Madeira (SP), ao prever uma nova reunião da executiva nacional para rediscutir a estratégia da campanha nacional e nos Estados, sem Sérgio Motta.
Na última reunião, o primeiro-secretário do partido, deputado Ubiratan Aguiar (CE), chegou a sugerir que o colegiado que vai substituir Motta tenha pelo menos três características. ‘‘Precisamos de alguém que seja bom na articulação interna do partido; de mais um para cuidar do relacionamento do PSDB com os demais parceiros da aliança e de outro que tenha experiência para exercer o comando político da campanha da reeleição.’’
Em nota oficial do PSDB, o presidente e o secretário-geral registraram a perda do líder, fundador, companheiro e militante Sérgio Motta, lembrando que a ‘‘Nação perde um de seus filhos mais generosos, valentes, realizadores e lúcidos’’. Os dois também já trataram de requerer uma sessão solene do Congresso Nacional para homenagear o ex-ministro. (AE)

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