PSDB procura culpados e Alckmin não se manifesta
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segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Ana Paula Scinocca<br>Agência Estado 
São Paulo - O candidato derrotado Geraldo Alckmin (PSDB) passou o primeiro dia após a eleição recluso em seu apartamento no bairro do Morumbi, na zona Sul de São Paulo. Muito falante à época da campanha ao Palácio do Planalto, ontem limitou-se a um breve aceno, ainda pela manhã, da sacada de sua residência. Entre hoje e quinta-feira, o tucano deverá deixar a capital paulista para recarregar as baterias e, principalmente, repensar seu futuro político. O ex-governador paulista chegou a pensar em se refugiar em Pindamonhangaba (SP), sua cidade natal, mas foi aconselhado por amigos e assessores a escolher outro destino.
Enquanto Alckmin passou o dia respondendo e-mails e cartas, acompanhado da mulher Lu, dos filhos e da neta, Isabella, o PSDB iniciou uma espécie de caça às bruxas para tentar entender os erros da campanha que fez Alckmin não só perder a disputa para Lula, mas ter menos votos no segundo turno do que no primeiro.
''O erro da campanha foi basicamente de comunicação'', anotou um dos caciques do PSDB criticando, sobretudo, o programa tucano no horário eleitoral gratuito da TV, conduzido pelo marqueteiro Luiz Gonzalez. Para outro dirigente tucano, Gonzalez não pode ser transformado em ''bode expiatório'' da derrota. ''O Alckmin sempre ouviu o Gonzalez. Tem absoluta confiança nele. O problema não foi o Gonzalez nem o programa na TV. O problema foi o Alckmin, que é teimoso, centralizador e que não ouvia o partido, só o marqueteiro.''
Outro integrante da cúpula do partido avaliou que, apesar da derrota, Alckmin sai da disputa maior do que entrou. Em Brasília, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, também fez elogios ao ex-governador paulista e ressaltou que Alckmin saiu fortalecido da campanha.
Presidente do PSDB paulista, o deputado Sidney Beraldo, também destacou o empenho de Alckmin na disputa. Para ele, o ex-governador paulista cumpriu ''muito bem'' seu papel. ''O Geraldo saiu da campanha maior do que entrou e fez um bom papel. Mostrou preparo e representou à altura o PSDB'', afirmou Beraldo. Para ele, cabe ao partido reavaliar ''os erros estratégicos'' da campanha.
Na opinião de Beraldo um deles foi a demora dos tucanos em responder ''à boataria do PT'' que, se eleito, Alckmin privatizaria empresas como o Banco do Brasil, a Petrobrás, os Correios e a Caixa Econômica Federal. ''Erramos no timing. Além de negar isso, tínhamos de ter defendido as privatizações feitas no governo do Fernando Henrique, já que os resultados foram extremamente positivos'', avaliou.
Além da avaliação dos erros da campanha, os tucanos estão preocupados com a dívida da campanha à Presidência, estimada entre R$ 8 a R$ 10 milhões, segundo fontes do partido.


