Curitiba - Um dia após a eleição que definiu o nome do petista Arlindo Chinaglia (SP) para a presidência da Câmara em Brasília, o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB/PR) afirmou à FOLHA DE LONDRINA que sua legenda agora ''precisa voltar a ser oposição'', caso contrário, ''terá sérios problemas''. Fruet se refere ao racha provocado no segundo turno da votação, quando a bancada do PSDB ficou liberada para apoiar qualquer dos candidatos, o também governista Aldo Rebelo (PCdoB/SP) ou Chinaglia. A maior parte da bancada tucana teria votado em Chinaglia. ''O segundo turno vai ter que ser administrado dentro do PSDB sim. E agora o Chinaglia também vai ter que administrar o racha na base governista também'', afirmou o tucano.
Para o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR), o fato da maior parte do PSDB ter ajudado a eleger Chinaglia irá ''cicatrizar logo''. ''Num país como o Brasil, não tem como fazer política sem engolir sapo'', disse ele. Para Hauly, porém, o próprio lançamento da candidatura de Fruet já teria servido ao menos para a legenda ''apagar'' a primeira crise ocorrida no período pré-eleitoral. Ele se refere ao fato do líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior, ter chegado a anunciar apoio oficial a Chinaglia. O líder teria ligado para cada um dos parlamentares tucanos antes de fazer o anúncio. Hauly, que fala do episódio como a ''consulta telefônica que nunca existiu'', ressalta que, depois, o nome do Fruet conseguiu de fato unir a sigla.
Apesar do racha no PSDB, sentido antes do lançamento da candidatura própria e após o resultado final da eleição, Fruet se diz satisfeito com o seu desempenho na votação. Ele acredita que sua candidatura ofereceu ''uma outra dinâmica para o processo'', já que antes a disputa se concentrava em apenas dois governistas. ''Conseguimos expor a contradição da base do governo''. O tucano cita, como exemplo, o debate público que acabou ocorrendo entre os candidatos. ''Eles mudaram algumas de suas posições, como por exemplo em relação ao aumento dos salários dos deputados. Os meios de comunicação também participaram mais do processo'', comentou.
Fruet afirma ainda que, para o Estado, a sua candidatura também pode ser considerada ''vitoriosa''. ''No Paraná, a gente fala muito para dentro. Agora o Estado começa a entrar um pouco na esfera política nacional'', disse ele, ao comentar também sobre a nova posição do deputado federal Osmar Serraglio (PMDB/PR), eleito anteontem primeiro secretário da mesa diretora da Câmara. O posto assumido pelo peemedebista é associado na Casa à tarefa de um prefeito de um município.

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