PSDB pode pedir CPI para suposta espionagem eleitoral
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terça-feira, 28 de outubro de 2003
Agência Estado 
Brasília - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), pediu ontem informações ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, sobre reportagem publicada na última edição da revista 'Veja' a respeito de ações de espionagem desenvolvidas por pessoas ligadas ao então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral que o elegeu. Virgílio disse que, caso as informações do ministro não sejam satisfatórias, os partidos de oposição vão propor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os fatos descritos pela revista.
''Se o governo for convincente, a oposição reconhecerá. Se não for, iremos abrir uma CPI, por entendermos que, não havendo o necessário esclarecimento, somente uma investigação mais ampla e com os poderes de uma CPI é que chegará à verdade'', alegou o tucano. De acordo com a reportagem, uma equipe de petistas, num trabalho paralelo ao do comitê de campanha, levantou denúncias e preparou dossiês contra os adversários de Lula, além de promover negociações secretas com aliados dos oponentes com o objetivo de enfraquecer suas candidaturas. Segundo Virgílio, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que disputou a Presidência pelo PPS e, durante a campanha, ''ficou tão zangado'' com o candidato do PSDB, José Serra, ''a quem acusava de torpedear sua candidatura'', deveria agora interpelar o governo.
O líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), apoiou a idéia de o ministro da Justiça prestar os esclarecimentos, mas avaliou que algumas informações divulgadas pela revista não fazem sentido. Como exemplo, ele citou uma suposta negociação que levasse à renúncia do candidato a vice-presidente na chapa liderada por Garotinho, Paulo Costa Leite. ''Ele deixou a candidatura porque se descobriu que havia trabalhado para o antigo Serviço Nacional de Informações (SNI)'', alegou.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, anunciou ontem que vai se desligar do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) em razão das denúncias publicadas pela 'Veja'. A reportagem aponta que um grupo de cinco pessoas, entre elas o ex-secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Carlos Alberto Grana teria atuado contra os adversários do então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva, entre eles, Paulinho. Na ocasião das denúncias, Paulinho, acusado de desvio de recursos públicos, era filiado ao PDT e foi candidato à vice-presidência na chapa de Ciro Gomes, do PPS. Atualmente ele tenta se habilitar para concorrer à Prefeitura de São Paulo pelo PTB. Ele decidiu ainda suspender temporariamente todas as relações com a CUT, inclusive a Campanha Salarial Unificada, que pela primeira vez estava sendo realizada em conjunto pelas duas maiores centrais sindicais do País.


